Escrevo desde menino. Era criança, aí com os meus cinco anos, passava tardes inteiras sentado no quintal nas traseiras de minha casa, ali parado, a olhar o céu, as nuvens… Divertia-me até com as formas que estas últimas tomavam. Umas vezes pareciam elefantes, outras vezes pareciam flores, e outras vezes havia que depois de muito tempo passado a examiná-las não me pareciam senão o que eram- nuvens. Não eram menos imponentes ou respeitáveis por isso. Não. Em qualquer uma delas eu imaginava-me tocar, sentar, refastelar-me… Devem ser tão suaves, pensava. Ali, nesses momentos de contemplação foi-me dado descobrir que uma nuvem não é só uma nuvem, que as coisas não são tão só e apenas aquilo que percepcionamos. Não, as coisas não são só aquilo que vemos e tocámos…
Cresci, arredado dessa figura paternal dos meus progenitores, numa infância atípica mas ainda assim feliz. Costumo falar em jeito de brincadeira que acabei por ter mais do que uma ou duas mães- a minha avó materna, a minha madrinha, as minhas tias… Todas elas souberam dar-me o carinho e a atenção de que uma criança precisa; todas elas são parte daquilo que sou, dos meus valores e princípios. No fundo, isso foi o mais importante que me deram. Mais importante do que ter este ou aquele brinquedo eu tinha-as a elas.
De família pobre, nem sempre pude ter aquilo que queria. Às vezes via este ou aquele livro e apetecia-me comprá-lo, lê-lo e não podia. Não tinha como o comprar. A cultura não está acessível a todas as carteiras. Contudo, essa mesma pobreza, essa falta de poder de compra fizeram com que me apercebesse, pensasse que eu próprio podia escrever as minhas histórias e acima de tudo escrever o que gostava de ler. Foi assim que comecei; foi assim que começou o sonho na minha cabeça de menino de um dia editar um livro, de um dia ter um livro nas livrarias escrito por mim. Quão orgulhoso não ficaria!...
Em mil novecentos e noventa e nove comecei a escrever dramaturgias: “ A Religiosa”, “ Tomás”, “ O Farsante”, “ Teatro interminável”, entre outras, e tive a felicidade de ver uma dessas dramaturgias- “ A Religiosa”- representada pela companhia de teatro “ X-Acto” de Vila Verde, distrito de Braga. Companhia da qual orgulhosamente fiz parte. Nenhuma destas obras foi publicada até à data, mas em Outubro de dois mil e oito vi esse meu sonho de criança realizado ao editar o meu primeiro livro, “Dó Maior”, pela Corpos editora. Costumo carinhosamente referir-me a ele como o meu “primeiro filho”. Se vou ser “pai” mais vezes só o futuro o dirá. Para já vou escrevendo por aqui… E acho que o segundo filho está a caminho. Tem nome já: Mundo Suspenso. Deixo-vos o prefácio que eu pedi a alguém muito especial que fizesse. Ninguém melhor que ela me conhece. Ninguém melhor que a outra metade para falar de nós.
Prefácio
Fernando Pessoa disse “o poeta é um fingidor”. Estava ele fingindo quando o disse? A poesia é fingimento? É a Arte de mascarar o que se sente? A poesia é a forma de nudez mais despudorada que existe; mesmo que intente, o poeta não consegue esconder o que lhe vai na alma. R.B. Côvo, em seu segundo livro, “Mundo Suspenso”, desnuda sua alma de forma visceral e através dos seus versos, transita no espaço e no tempo e cujo alicerce está cimentado nas emoções e nos sentimentos. E é isto que marca a sua poesia, o fato de não estar preso às regras, não submeter sua arte aos padrões da estética literária. Seu estilo, nem ele mesmo o sabe definir (nem o quer). Seus versos são livres, e é assim que a Arte deve ser: sincera, certeira, sem hipocrisia, natural como a vida é. Sua poesia é simples e cotidiana, mas como toda a forma de Arte, é também subjetiva porque cada leitor a intui, a reflete e se identifica à sua maneira de acordo com suas próprias vivências.
O que é o poeta senão o homem em todas suas facetas? E a poesia, senão a própria vida? R.B. Côvo tece de maneira única temas como o amor, a vida, a morte, a infância, as alegrias, as tristezas, os desejos, as dores, os prazeres, as inquietudes, as angústias humanas individuais e coletivas. Ele chega a dar vida aos seus sentimentos e interage com eles como em Vadia:
“Oh, que cobardia!
Que petulância, que arrojo o teu
esse de disfarçares-te
de te deitares na mesma cama que eu
esses teus modos de amiga
Não, não és bem-vinda (...)”
R.B. Côvo canta, chora, grita, sussurra, se angustia, se ira, se acalma e até se cala em seus versos. Há também ausências e silêncios na sua poesia. Essa necessidade de exprimir o que trás dentro de si, em alguns momentos, se torna impossível de fazê-lo em palavras porque o que sente não cabe dentro delas.
“O Amor, meu deus,
não é nem será descrito.
O que sinto
é muito superior a isso.
Escrevo, escrevo
contudo nada transmito.
Ainda que pareça bonito
o Amor é muito maior do que isto.” (Palavras)
Por vezes, ele perde o sentido de si e do mundo onde ora viaja poeticamente, ora se alheia ironicamente por sentir-se impotente diante de sua condição humana, porque o poeta não tem nada de divino, pelo contrário. É aí onde reside sua angústia - nas suas limitações. Mundo Suspenso é uma viagem no espaço-tempo carregada de existencialismo, onde estão as lembranças passadas e também futuras do autor que com ousadia mergulha dentro de si e nos leva a fazer o mesmo. Há algo mais transcendental que isto, a contradição que somos nós - humanos? Em Identidade, isso fica claro.
“Eu não existo, sobrevivo
Em matéria, em espírito…
Sou uma nuvem de fumo
Oscilação entre momentos
O Antes e o Depois
Sou um rasgo de nada
Uma curva, espiral de tempo
Sou magma, sou lava
Um Buraco Negro
Uma introspecção de mim”
A palavra é o caminho e a matéria-prima utilizada pelo poeta para conduzi-lo a lugares e momentos, seus versos fluem de forma espontânea e quase que autônoma, como se o dominasse de súbito.
“Quem escreve é o polegar
E indicador esquerdo
Às vezes utilizo o cérebro.
Mas nem o que penso
Sei se é meu” (Fim)
Nesta obra, R.B. Côvo nos leva a intuir, mesmo não sendo essa a sua intenção, que cada um de nós é o nosso próprio mundo, um MUNDO SUPENSO!
Magnólia Santos Xavier
You can find me at:
twitter.com/chacalproject
youtube.com/chacalproject
xanga.com/chacalproject
pixton.com
facebook.com
orkut.com
multiply.com
blogblogs.com
and at my e-mails:
chacalproject@hotmail.com
ricardoalex_78@hotmail.com
Ah, you can find me at Second Life too
See you!
"El secreto" es el primero de los cuatro cuentos que hacen referencia al titulo del libro " El Gran Cultivador". Éste será el último post hasta la edición del mismo. He estado hablando con varias editoriales, valorando vararias posibilidades de edición libre y he tomado una decisión: la publicación será con Bubock . Debido a una serie de cuestiones personales ( la puta pasta, jejeje, tengo tres hijas ) no tengo clara la fecha de la publicación, espero que sea lo antes posible . Estos últimos cuatro meses han sido muy creativos para mi, he imaginado y escrito aproximadamente una treintena de cuentos , el último de ellos "El caminante". Algunos cuentos bastante más largos, con lo cual le estoy dando otra dimensión a mi obra . Pido disculpas a todos los amigos de éstas páginas, puesto que mi tiempo se ha ido más en la creatividad y debido a la crisis he tenido que emplear más tiempo en mi negocio para que siga funcionando y realmente he pasado muy poco por aquí . Un abrazo a todos exceptuando a los que hayan cenado ajo, por la olor y eso, jejeje. Sin más dilación aquí os dejo el cuento y espero que el libro se publique, porque sino, jamás sabreis quién es El Gran Cultivador.
EL SECRETO
No recuerdo exactamente cuanto tiempo llevo aquí , pero debe de rondar los 700 años. 700 años bajo tierra, con la piel quemada, desnuda y mojada, y por descontado muerta. Año 1300 dC....sigue en el blog
Quando por cá estiver, avise...deixarei um ingresso separado na bilheteria do teatro para que vá assistir nosso espetáculo que está para estrear, caso sua viagem ao Brasil, tenha uma parada em São Paulo. E os teus livros? Como cá fazemos para lê-los?
Obrigada por ter assitido ao vídeo e q bom q vc gostou! Obrigada pelo seu voto e conto com sua torcida! Foi um prazer visitar seu blog. estarei sempre por lá! Ok?