Uma pessoa é ela, os circundantes e as circunstâncias. Assim parece fácil. Mas e quando um só tem circunstâncias infinitas?
Com o fim do Pipodélica, seus integrantes parecem seguir caminhos diversos. E, por mais marcante que fosse sua presença no quarteto, a banda nunca foi só Eduardo XuXu. Seus bravos e talentosos parceiros foram cúmplices e agentes. Então, aquela música do Pipodélica não parecia ser, no sentido pleno, a de XuXu.
Seu histórico psicodélico/progressivo deu lastro, é verdade, pra aquilo que se reconhece como sendo “feito pelo XuXu”. Mas ainda assim, não é tudo.
Um sem número de bandas diversas que ele produziu ou ajudou a produzir pode confirmar o quanto pareceu ser um trabalho duro, uma colcha de retalhos que unificou um sentido de qualidade indiscutível somente no final. Mais recentemente, a produção do badalado disco de estréia da curitibana Charme Chulo – que nada tem a ver com psicodelismo – também denunciou seu dedo. A confusão parece inevitável.
Mas quem afinal é Eduardo XuXu? Se não mostra quem ele é, Outro Doce chega bem próximo disso.
Aquele ar seguro e até de superioridade não é tão factual. Seria um escudo. Ali existe um sujeito muito reservado e tímido. Eduardo é um “doce de pessoa, mas só os próximos sabem disso”. Daí viria o nome do disco. Mas provavelmente nem ele mesmo saiba que por trás deste nome há muito mais.
Em Outro Doce, pela primeira vez XuXu deixa entrar em sua redoma intransponível e restrita aos “amigos próximos” e se mostra; já era hora. Toca todos os instrumentos a seu modo (exceto os percussivos), arranjando como acha que deve e timbrando à verdadeira “maneira XuXu”.
Ali ainda estão as melodias fortes, os arranjos vocais requintados e as harmonias sempre surpreendentes que o marcaram. Segue então um rol de surpresas: XuXu revela-se também um excelente musicista (embora esta qualificação fosse sempre atribuída a seus companheiros de Pipodélica); baseia sua performance em música eletroacústica; faz flerte intenso com a esquerda da música experimental (harsh-noise e ruídos de toda sorte); e por fim classifica seu próprio som como lounge music (?). Não o moderno, mas o antigo.
O Pipodélica acabou e parece que sua morte veio para oxigenar a carreira de seu principal compositor. Mais que isso, revela nova porção de um personagem deste nosso novo universo independente com características tão fortes, quanto incomuns. XuXu sempre teve selos inconfundíveis, ainda que poucos conseguissem defini-los. Com Outro Doce, saberemos um pouco mais.
A. A. Campos.
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Eduardo XuXu's first solo songs called "Outro Doce" (Other Candy).
More XuXu works (bands, projects, producing, etc) in:
Hello XuXu! I hope all things are well with you and the band. Sorry we didn't meet in Austin Texas...it was crazy for us. We will cross paths soon my friend. Peace and love, John and Fun Machine
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