DVD NÃO SE APAGUE ESTA NOITE
Não se apague esta noite
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novo CD/DVD de Flavio Venturini, reforça a velha máxima de que o palco é a extensão da casa do artista. Gravado entre o Museu das Artes da Pampulha – a casa de todos os mineiros – e a própria sala de estar de Venturini, o álbum percorre uma trajetória devotada à busca da melodia perfeita.
Seja qual for o ambiente, o compositor se encontra ativo, em permanente reconstrução, alinhando novos temas aos sucessos que há gerações transbordam de sua nascente musical. Há cinco anos, Venturini trocou o Rio de Janeiro – depois de quase três décadas – por um regresso feliz a Belo Horizonte. É lá que a imensidão das montanhas emoldura a inspiração sonora de sua nova Casa Encantada.
Em casa ou no palco, Flavio recebe novos amigos com a mesma hospitalidade devotada aos antigos companheiros de estrada. A começar por sua banda, formada por jovens músicos mineiros, onde perfilam a guitarra e as cristalinas cordas vocais de Kadu Vianna; o baixo de Aloísio Horta; os teclados de Ricardo Fiúza e a bateria de Arthur Resende.
Para que nossas noites nunca se apaguem, Mantra da criação, parceria com Ronaldo Bastos, legitima a crença em um mundo melhor, sob a bandeira fincada na esquina mais musical do planeta. Uma balada-rock com ecos do Terço e do 14 Bis – duas de suas escolas sonoras - em registro mais grave que o habitual, sem perder a ternura. Se o “futuro está na criação”, Venturini jamais desiste da beleza.
“A luz que deu a luz ao universo conspira a seu favor”, decretam os versos de Ronaldo que fazem de Recomeçar uma destas evidências. Outras e novas parcerias luminosas: Minha estrela (com Ronaldo), O melhor do amor (com Ronaldo e Torcuato Mariano), Romance (com Juca Filho) – esta com a presença do irmão camarada Claudio Venturini, na guitarra -, Verão nos Andes (com Aggeu Marques); além de Morro branco e Alegria, com participação do violonista Nando Lauria.
Flavio joga limpo com quem vem depois. Compartilha a intimidade dos hits com três novas vozes femininas: Mart..nália ambienta o Pierrot – parceria com Murilo Antunes – na ginga carioca. Luiza Possi flutua estilosa em Beija-Flor, enquanto Marina Machado expressa prazer e privilégio em Noites com sol, ambas feitas com Ronaldo Bastos.
Dos estertores setentistas estão Não se apague esta noite, de Lô Borges, lançada no chamado disco do tênis, e a versão em voz e piano de Criaturas da noite, parceria com Luiz Carlos Sá nos tempos de contracultura e lançada pelo Terço. Alma de balada, feita com Murilo Antunes para o álbum “Porque não tínhamos bicicleta”, de 2004, homenageia o baterista Luiz Moreno, companheiros dos tempos dos cabelos compridos, calças boca-de-sino e música lisérgica.
Das estações pop do anos 80, Flavio embarca no Trem do Amor, com letra de Ronaldo, para o álbum “Andarilho de luz”. Dali para as estações atemporais, Céu de Santo Amaro realiza a alquimia de tornar a sonata de Bach – escrita no século XVIII – numa das mais inspiradas canções brasileiras contemporâneas. O futuro – e também o passado - está na criação.
Já diz o I-Ching que se ao andarilho a perseverança traz boa sorte, o suave alcança o centro no exterior. E Flavio voou para Paris ao encontro do supremo xamã dos templos sonoros de Minas. No estúdio Davout, juntou-se a Milton Nascimento no dueto de Música.
Sob o piano de André Mehmari, os parceiros aproximam o canto da aurora ao espírito da cidade luz. A solenidade da cerimônia evoca uma vaga sagrada que bebia cachaça nas andanças pelo Brasil distante dos anos 70.
Flavio, entretanto, não se lembrava da vaca, para a surpresa de Bituca: “Mas como é que pode esquecer uma coisa dessas?”. Conversa de compadre no tempo em que se via televisão de cabeça pra baixo.
De Paris a São Paulo, é a vez de encontrar Toninho Horta, no estúdio Monteverdi, de Mehmari. Em trio, recriam a eterna Nascente (de Flavio e Murilo Antunes) e proseiam até o sol esconder a clara estrela.
A direção do show é de Ronaldo Bastos e Leonel Pereda, com roteiro de Hudson Vianna, produção de Fabiane Costa e direção musical de Chico Neves e Flavio Venturini. “Não se apague esta noite” é uma co-produção da Caramelo Produções com o Canal Brasil.
FAIXA A FAIXA por FLAVIO VENTURINI
1. Não se apague esta noite – “Sempre gostei desta música, de um disco clássico de Lô Borges: o disco do tênis, que ele gravou logo depois do “Clube da Esquina”. Já havia escrito um arranjo pra ela e achei a letra forte o suficiente para dar nome ao novo trabalho”.
2. Recomeçar – “Escrevi com Ronaldo Bastos nos anos 90 e a reencontrei recentemente enquanto remexia meus arquivos em busca de canções inéditas. Lembra as baladas de Paul McCartney, eu a canto como uma homenagem a ele”.
3. O melhor do amor – “Iniciei a melodia, tempos depois o Torquato Mariano compôs uma parte diferente e o Ronaldo letrou. Foi feita na Bahia, tem uma sensualidade de que gosto muito”.
4. Pierrot – “Soube que Mart..nália gostava desta canção e a convidei para cantá-la comigo. Minha relação com o samba e a bossa começou depois que fui morar no Rio e achei legal chamar uma personalidade tão carioca para gravar na minha casa em Minas”.
5. Noites com sol – “A sugestão de Ronaldo foi que eu gravasse coisas novas e chamasse convidados para interpretar antigos sucessos. Chamei Marina Machado, ótima cantora da atual cena de Belo Horizonte, de quem me aproximei muito depois que voltei a morar na cidade”.
6. Minha estrela – “Esta eu canto sem instrumento, feito crooner. Costumo falar pouco em cena e é uma oportunidade de olhar nos olhos das pessoas, chegar mais perto do público. Me levar mais pra frente do palco foi outra idéia de Ronaldo”.
7. Céu de Santo Amaro – “Outra que fiz na Bahia, na festa de Reis de Santo Amaro da Purificação. Acompanhei a procissão e escrevi a letra ao ouvir uma interpretação do violonista espanhol Steve Erquiaga para esta ária de Bach, numa bela noite de lua de janeiro”.
8. Beija-flor – “Um grande sucesso, com participação de Luiza Possi. Eu a conhecia pouco, mas já a admirava pela delicadeza e técnica, na escola de sua mãe, Zizi. Fiquei muito feliz com o resultado”.
9. Alegria – “Há anos quero gravar um disco todo instrumental, mas como até agora não fiz, aproveito para colocar um ou dois temas em cada novo trabalho. Foi feita logo depois que voltei a Belo Horizonte, com participação do violonista Nando Lauria, que tocou na banda de Pat Metheny”.
10. Romance – “A letra é de Juca Filho, com quem tenho apenas quatro ou cinco parcerias, mas adoro todas. Foi gravada pelo 14 Bis e convidei meu irmão, Claudio, para participar, como uma homenagem à banda. Tem um sabor acústico, um lado folk de que gosto muito”.
11. Alma de balada – “Outra que fiz na Bahia, onde costumo compor muitas vezes. Sempre que viajo consigo dar uma desligada e as músicas vem naturalmente. Tem um som mais pop, com letra do Murilo sobre o ofício do baladista, originalmente lançada no disco Quando não tínhamos bicicleta”.
12. Verão nos Andes – “Conheci Aggeu Marques em um estúdio de Belo Horizonte e me encantei com sua música. Um cara super talentoso, totalmente Beatles. Lancei o disco dele pelo meu selo, Trilhos.Arte, e nos tornamos parceiros”.
13. Trem do amor – “É do Andarilho de Luz, meu segundo disco solo, todo ele influenciado por uma viagem que fiz a Machu Pichu, nos anos 80. Adoro o humor e a disponibilidade expressados na letra do Ronaldo”.
14. Criaturas da noite – “Da época do Terço, quando comecei a me descobrir como cantor e a compor de uma maneira pop. Eu dividia um apartamento em SP com o Luis Carlos Sá e a fizemos numa noite muito fria. No DVD eu fiz um improviso, sem preparar nada, tudo na hora”.
15. Mantra da criação – “Numa noite cheia de estrelas cadentes na Bahia, alguns amigos discutiam sobre o momento delicado que o planeta atravessa. Criei a melodia na hora e passei para Ronaldo fazer a letra. Pedi que ele a escrevesse como um mantra, em que o poder da palavra está na repetição”.
16. Morro branco – “Outro tema instrumental, feito numa praia cercada de falésias e areias coloridas, no Ceará, um lugar que me deu muita inspiração. Chamei o Nando Lauria para participar também desta”.
17. Nascente – “Nascente é minha música mais conhecida, são mais de 20 gravações diferentes. Chamei Toninho Horta, com quem tenho grande cumplicidade musical, e gravamos no estúdio de André Mehmari, na Serra da Cantareira. André reúne técnica e sensibilidade num nível altíssimo”.
18. Música – “Milton é uma das minhas maiores influências e eu queria muito tê-lo no DVD. Ele estava em Paris e decidi ir até lá para encontrá-lo. Gravamos em um estúdio histórico, o Davout, com André Mehmari no piano. Foi um momento emocionante, místico. Uma homenagem à música”.
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