Escrevo logo existo...
Bem cedo na minha vida percebi que escrever dava mais credibilidade às minhas idéias. Nunca entendi muito bem esse fenômeno. Talvez seja simples, tipo, se alguém perdeu seu tempo e se deu ao trabalho de escrever algo, isso realmente deve conter alguma verdade. Talvez seja mais complexo, mas é mais fácil acreditar naquilo que você lê do que naquilo que alguém lhe diz. E foi assim que comecei a escrever.
Um pouco mais tarde percebi que tocar um instrumento aumentava o interesse das meninas por mim. Também nunca entendi muito bem isso. Talvez seja simples, tipo, se alguém é capaz de dar prazer a tantas pessoas deve ser uma boa companhia para se ter ao lado. Talvez seja mais complexo, mas é mais fácil conquistar uma garota de cima de um palco do que dentro de um laboratório de biologia. E foi assim que comecei a tocar.
Como o passar do tempo percebi que quanto mais você lê, melhor você escreve; e quanto mais você escuta música, melhor você toca. E foi assim que desenvolvi essas habilidades.
E essas duas habilidades unidas me tornaram um compositor.
Fazer música para mim, como qualquer outro vício, é tão doloroso quanto divertido. É o momento de exorcizar meus medos, de transformar minhas alegrias, de elaborar minhas perdas. É o momento de trazer à luz esses múltiplos eus que coexistem dentro de mim.
Fazer música é como conduzir carruagens, senão a do meu destino, a do meu pequeno mundo.
Ah! E ainda me pagam para fazer isso.
Gian Fabra
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