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Estávamos em finais de 2002. A única coisa que diferenciava a cultura popular do “país surreal” quer dos dias de hoje, quer dos anos oitenta (por ex.) era o grau de contaminação de uma certa contemporaneidade estética, tecnológica, enfim… criando um bolo folclórico de lixo em constante e lenta mutação. Sabem do que se fala, uma cultura esquizofrénica (bom, toda ela o é…) geralmente rural, que apregoa ideias de “antigo” e de “tradição” arrumando-as imediatamente nuns museus amorfos para ao mesmo tempo matar e esfolar por ser “moderno”. Para além disto, um ponto bastante importante, uma cultura que é um target importantíssimo. Um mercado que gere uma máquina enorme de várias indústrias, entre as quais, a do entretenimento que, estando de fora, fabrica produtos idealizados para responder a uma procura num círculo vicioso de “arte” imitando a “vida”, imitando a “arte”… O que por vezes é contrariado por uma sensação interessante de existir também uma espécie de underground nesses meios. Há depois um certo charme quer seja pela contraposição a uma intelectualidade urbana, chata, depressiva e mal jeitosa (mutantes dependentes), quer pela beleza que se pode encontrar nesta esteira estética do lixo folclórico. Um mundo mais profundo que o seu retrato ou mesmo que o seu autoretrato, onde abunda igualmente, talvez mais do que em qualquer outra realidade, uma capacidade louvável de solucionar e autonomizar as necessidades da vida entre as quais, porque não, a música.
Em finais de 2002, Buga (Garlic Wonders, Skamioneta do Lixo, Sick Sick Six, Mr Ed Figadus, Violência Violeta) e Zé Smith (Focolitus, Escargot) encontram-se em contextos diferentes na zona Oeste, entre as Caldas da Rainha e o Bombarral. A vontade de formar novos projectos musicais rapidamente resulta em várias experiências que culminam com a ideia de montar um grupo Pimba, um grupo Pimba diferente. A ideia, a princípio não parecia ter nada de especial, na altura abundavam já bandas a gozar com músicos Pimbas, mas aqui o projecto era outro. Trazendo das suas experiências anteriores o estilo lírico fortemente político, social, psicopatológico, acutilante, satirizante e crítico do punk, o plano seria manter aquele ambiente musical pseudo-festivo, ligeiro, cançoneteiro e dançável do Pimba, substituindo os habituais versos picantes dos trocadilhos sexuais e das saudades da terrinha por um conceito novo de picante e de proibido que é o de falar de política, religião, sociedade e sexualidade com outro tipo de aberturas, facetas mais românticas de utopias pessoais e incongruências da vida. Tudo o que a tradicional tacanhês salazarista ensinou que não se discute, o que aliás sempre foi subvertido na música portuguesa que não é estandartização folclórica sugada. De preferência neutralizar a diferença a nível formal e invadir os bailaricos com cântigos anarquistas de subversão e provocação numa séria submersão no lixo cultural português. A formação rapidamente ficou concluída com Luís Carreira, que já partilhara um projecto relâmpago com Buga meses antes, “o Bom, o Mau e o Vilão”, ocuparia o baixo, Nadine que ocuparia a voz, Argénis, virtuoso membro da orquestra de acordeões da Madeira ocuparia esse mesmo instrumento, Huguinho (baterista dos míticos Enche&Passa do Bombarral) que depois de vários candidatos viria a ocupar a bateria, Mané que ocuparia o órgão mágico e finalmente Zé Smith e Buga que ocupariam respectivamente a voz e a guitarra. Os ensaios seguiram-se com frequência nas instalações dos Estúdios Desejo Escaldante que seria a casa do grupo nos dois anos seguintes……………………………………………………………
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Nos primeiros tempos todos queriam rapidamente fazer canções e dar consistência ao som, os ensaios eram grandes brainstormings bem regados onde todos contribuíam para inventar os imaginários, escrever as letras, compor as músicas e perceber o que afinal podiam fazer com aquele tipo de suporte. A quem estavam eles a chamar pacóvios??... Quando se ouvia que
“O Sr. Durão alberga nas Lajes uma cimeira para os patrõezinhos Ianques que vêm promover uma guerra de sangue e horror para sacar petróil,… haverá exemplo de provincianismo pior do que este ?”.....................................................................................................................
Numa noite de copos, no meio de eternas discussões sobre que nome a dar à banda, um amigo, Tiago Norte também conhecido como DJ Ovelha Negra, sugere os
“Mal d..Vinhos”. O nome é aplaudido unanimemente e o baptismo é celebrado na hora.
Palavra de origem incerta, de onde provem também mal d..vino ou val d..vino sugere em traços gerais aquele que é desajeitado, que não produz, que não possui nem honra nem nobreza de homem respeitável e claro, é alcoólico!..........................................................
Temas foram surgindo como “Ambição Púlitica”, uma clássica paródia à sede de poder em que o falhado da aldeia sonha ser influente, corrupto e construir aqueles mamarrachos feiíssimos com os sacos que desvia do seu alto cargo na autarquia local.
“A Gaja da Tebê”, os delírios carnais de quem não sai da frente da televisão e delira com as construções sexuais que lhe vendem mediaticamente de mulheres perfeitamente desumanas. Até uma marcha com letra de Brecht, “Dificuldade de Governar”, com o refrão:”É só porque toda a gente é tão estúpida que são precisos uns tão inteligentes”.
Seguiram-se as primeiras actuações ao vivo, entre outros no mítico restaurante “O Caldinho”, taberna das Caldas que décadas antes fora local de reuniões secretas ligadas à Carbonária e até de preparação do golpe de 16 de Março, ensaio geral do 25 de Abril.
Os concertos deram coesão e estímulo ao grupo, revelando pistas da energia que viriam a gerar com grande vitalidade nas suas futuras apresentações, mas cedo se aperceberam de que atingir na perfeição formal o tipo de conjunto com que se queriam fazer confundir no início não iria ser fácil, aliás, nem havia paciência para isso. A sonoridade demasiado Indie e suja apesar de abrilhantada pelo acordeão e órgão traíam a verdadeira alma da banda. O resultado contudo agradava a todos e os trabalhos continuaram com entusiasmo. Mais concertos. Os Mal d..Vinhos confundem-se por vezes com a banda piadola do momento, a banda das caralhadas sem sentido. Na verdade os seus propósitos são bastante mais sérios. São demagogos, sim, mas não uma demagogia qualquer. Não por qualquer meio necessário………………………………..
Para o verão de 2004, preparam o primeiro disco, gravado nos Estúdios Desejo Escaldante, o local de ensaios do grupo, por Buga. Para alguns trata-se da primeira experiência de registo, uma realidade bastante diferente do que estavam habituados dos ensaios e concertos. O ambiente era de grande estímulo criativo com toda a gente de volta do microfone a cantar em coro os refrões e a meter frases adicionais para reforçar as intenções e o ambiente das canções. As sessões correm relativamente bem excepto para Mané, que por esta altura estava já claramente desiludido com o projecto e não chega a participar nas sessões, mais tarde viria a integrar outra banda, o Agrupamento Musical Lauro Palma.
A fase das misturas é também problemática pois o trabalho recai todo por cima de Buga e Luís Carreira fragilizando o que viria a ser um gap no seio do grupo: a divisão de tarefas. Contudo, no verão sai pela Pimba Highway Records (o selo da banda) o disco “Disk..é Cultura” com seis temas: “A Dignidade dum Artista”, “Dificuldade de Governar”, “O Baile da Bófia”, “Ambição Pulítica”, “A Gaja da Tebê” e “Tuning”.
A produção do disco é totalmente manufactorada e vendida mão à mão, nos concertos e ainda por algumas distribuidoras. Com o disco nas ruas e reduzidos a seis elementos, os Mal d..Vinhos saem para tocar na zona das Caldas, na Zaragata em Setúbal, em Aljustrel em concertos suados onde assaltam e insultam a audiência em bailes infernais da canção foleira hardcore que ficaram na memória das testemunhas……………………………….
No fim do ano, seria a vez de Buga abandonar o grupo. Desiludido com a organização interna e com vontade de abraçar novos projectos, deixa vago o lugar de guitarrista. Desta vez tinha que haver uma substituição. Os restantes elementos decidem continuar e
rapidamente por intermédio de Huguinho, entra Pipinho e o grupo muda-se para uma garagem no centro do Bombarral. Entretanto os Mal d..Vinhos têm já novos temas na forja com que vinham a reforçar o seu reportório ao vivo. Seguem-se mais concertos, na praça de touros das Caldas, numa praia (onde o vocalista quase se enterra na areia durante a actuação) e em Leiria por duas vezes (numa das quais em que conseguem a proeza de ainda ir a S. Mamede dar o segundo concerto da noite). Tornam-se também habitués no circuito de bares do Bombarral e arredores, onde não existia normalmente espaço para bandas de originais, graças a uma pequena legião que os seguia concerto a concerto proporcionando muitas vezes as cenas mais macacas noite dentro. São brindados também com a sua primeira passagem na rádio, curiosamente na Antena1Açores………………………………………………………………………………… A performance da banda melhora substancialmente. A entrada do novo guitarrista veio apurar técnicamente todos os temas do repertório que parecem ter uma força nova. Curiosamente, em simultâneo a veia criativa e a espontaneidade com que surgiam as ideias, no fundo o verdadeiro motor da banda, o que firmava os seus propósitos, foi-se desvanecendo gradualmente. O trabalho de produção tão essencial à sobrevivência e autonomia do grupo transformou-se no conformismo e na espera que alguém os iria transportar até ao topo do sucesso. Contudo, os trabalhos prosseguem , o público afirma que as letras já se percebem melhor ao vivo. Novos temas como “Eu já meti o Chip…”, uma fábula religiosa em que se eleva a estatuto de divindade a tecnologia de controlo das liberdades individuais, a cover de Reginaldo Rossi “Garçon”, que parodia o arrependimento de um homem depois de espancar a mulher a vida inteira, número especialmente explosivo e emocionantemente teatralizado nos concertos e a estrondosa balada existencialista “A Balada da Morte” que narra as reflexões de alguém que está prestes a partir. Numa fase digamos, mais Outonal, os Mal d..Vinhos surgem a tocar para as maiores audiências até à data, no Museu de Cerâmica das Caldas, na Concentração Motard do Bombarral e nas festas populares da Vermelha em que a festa se prolonga até de manhã numa mansão com piscina perdida nos montes, com cenas junkies dignas de “rockers do papel”, com a banda a arrastar uma turma enorme de punks em folia………………………………………………………………………………………………….. Pela segunda vez a banda entra em estúdio, desta vez na Sobrena onde o seu elevado custo limita o registo a três canções, desta vez o objectivo seria gravar pouco com bastante qualidade. Os temas são “Música
Enstranjeira”que expõe as contradições nacionais de subserviência à Europa e aos seus subsídios e desprezo pelos emigrantes e outros, numa lógica de bater no mais pequeno. Também uma nova versão de “O Baile da Bófia” e “Dizem que és…”. Na sua garagem no Bombarral, fazem mais uma sessão de gravação com vista a registar os restantes temas. No final de 2006 Huguinho, o baterista, anuncia a sua intenção de emigrar para o Luxemburgo. O grupo está num impasse e, por várias condicionantes acumuladas, o Office Club nas Caldas acabaria por albergar aquele que seria o último concerto da banda que, de sala cheia se eleva numa apoteose magistral de loucura vínica e de explosão de consciências. É a despedida perfeita para uma banda que sempre construiu o seu percurso com as suas mãos e o seu trabalho, e que viria a deixar, no genuíno underground, a sua humilde contribuição para a arte e concretamente para a canção e, através destas, legar novas maneiras de encarar o mundo e a nossa realidade. Já postumamente é editado, novamente pela Pimba Highway Records, o que viria a ser o último registo da banda até à .. “Voto em Branco porque não há Tinto!” que inclui os temas: “Música Enstranjeira”, “Demónios na Noite”, “Lusitano é um Cavalo”, “Eu já meti o Chip…”,
“Pinguça”, “Ir pá Tasca”, “A Balada da Morte” e “Inhos”………………………………
Hoje, os elementos dos Mal d..Vinhos continuam individualmente os seus caminhos com novas artes, novas canções, novas aprendizagens e novas provocações.
Comé maltinha, prontos para mais um tema do nosso 1º EP "SEMENTES DA DESORDEM"?
Já podem escutar o revisitado tema "BAR DA GNR", tema nº 2 do EP e que precede às "GUITARRAS DE GUERRA". Este tema já com alguns anitos lavou a cara e foi gravado no inicio de 2009 com novos arranjos, mantendo no entanto todo o carisma que vez dele um dos hinos dos ERVAS DANINHAS. Durante 20 dias, mais ou menos, vão poder entrar no "BAR DA GNR" e buer uma cervejola e morfar uma entremeada e até mesmo apanhar uma carraspana sem ficarem de cana... Dêm gás no volume e acordem os vizinhos... pelo menos aqueles que dormem a sesta ao Domingo à tarde. O "BAR DA GNR" contou com a presença de dois convidados muito especiais, foram eles o Igor e o Arroja dos SHIVERS, que por entre copos de binho e assaltos à sacristia ainda tiveram tempo para uma ida à Sela... ops, desculpem o erro... uma ida à cela.
Um grande abraço para eles e um grande abraço para todos vocês!
FANZINE #3 - ERVAS DANINHAS "VOZES DE BURRO NÃO CHEGAM AO CÉU" JÁ SAIU(inclui compilação punk/hc tuga)
Após largos meses de espera, como já vai sendo habitual com os Ervas Daninhas, eis que saiu finalmente a Fazine dos Ervas Danihas #3 - "Vozes de burro não chegam ao céu".
Com entrevistas, histórias do punk português e dos Ervas Daninhas, artigos de opinião e um CD compilação com alguns dos projectos punk que vazem a história actual do movimento. Um ensaio sobre a mentalidade alternativa, problemas sociais, ambientais e politicos e a posição que devemos assumir perante o nosso mundo e perante nós mesmos. Dessas mesmas questões se fala nas letras e nas músicas das bandas que compoem a colectânia que acompanha a Zine. Uma colectânia com 21 temas a bombar genuino punk/hc, com músicas cedidas gentilmente pelas bandas intervenientes. Deste CDr Colectânia diy inclui-se: - Barafunda Total - Canhões de Guerra - R12 - Resposta Simples - Cabeça de Martelo - Mancha Negra - Sopas de Cavalo Cançado - Tiro no Escuro - Ervas Daninhas - X-Katedra - Eskisofrénicos - Albert Fish - Crise Total - Coluna de Ferro - Mais uma Queda - Konad - Artigo 19 - Azia - Raios Parta - Payasos Dopados - Gatos Pingados
Esta Fanzine, completamente DIY está disponivel para todos os que a queiram por apenas 3.50€ + portes de envio, caso seja enviada vi correio.
É mesmo isso malta, à espera de edição em CD, o 1º EP dos ERVAS DANINHAS já tem as malhas disponíveis para que as ouçam, sempre de volume no máximo e de preferência com as portas e janelas abertas. De momento ainda sem o seu formato completo, num medley de vários momentos do EP, mostra-se os temas que fazem parte deste trabalho de titulo "SEMENTES DA DESORDEM", o 1º EP dos ERVAS. Após alguns avanços, retrocessos, inversões de marcha a queimar traços contínuos, ultrapassagens pela direita e outras infracções ao código das pautas, eis que se concluiu a obra, numa versão tipo "tunning" da banda Pinhalnovense. Mas nada mais se poderá aqui dizer que valha realmente a pena ou que faça real sentido... O melhor mesmo é ouvir, curtir, pensar e se não se conseguir digerir, vomitar. Vai, a partir desta semana, estar disponivel um música do EP em versão completa que irá alterar todas as semanas. Ouve e deixa um comentário... se te apetecer!
Dear myspace friend, Here is our first spam message ever. We have released our first album!! "Ouh La La!!" is the name and reggae is the game! Check us out! The Ratz