Na redação, final de expediente dos mais complicados, quase três da manhã, inclinado para trás na cadeira, me deparo com o MySpace do Maria Elvira e os Suprassumos dos Swing (www.myspace.com/melviraswing) Lembro que o camarada Paulo Germano havia citado o grupo numa reportagem sobre bandas de ou com meninas.
Mas seria a primeira vez que ouviria de fato. Eles haviam mandado um e-mail para a coluna, inclusive, mas, naquelas, a coisa não tá nada fácil e ficou por isso mesmo.
Mas então resolvi conferir qualéra.
O MySpace carrega a primeira das três faixas disponibilizadas ali, Don..t Mess With My Heart. O primeiro beliscão do baixo faz minha poltrona voltar para a posição vertical. Introdução Riders on the Storm, dos Doors. Bluseira algo psicodélica. Vontade súbita e incontrolável de uma meia luz, cigarros de cravo e um cowboy em copo de boca trincada. E só havia passado 30 segundos.
O tempo é suficiente para que Maria Elvira entre entornando _ sim, ela não canta, ela derrama _ a voz sobre a batida, insinuante, gentil e segura. Um voz feminina, vocês sabem, é sempre boa notícia. Mas uma vocalista que sabe o que faz, meu amigo, vale uma bacia de almas + o meu pote de balas de menta importadas.
E sai logo cantando sobre o único tema que importa numa sofrida e fria madrugada: corações partidos. "Não bagunce com meu coração", pede, no título e no refrão, com a voz embargada de quem já cansou de repetir a ladainha e hoje avisa apenas por inércia, pouco preocupada se o fulano está ou não levando a advertência a sério.
A segunda faixa que ouço, já com os fones de ouvido grudados nos tímpanos, é First Kiss. Melhor bateria do disco, clima de perseguição, exploitation setentista e arredores. Penso logo em Faster, Pussycatt! Kill! Kill!, Maria Elvira num Dodge Challenger alucinando por uma highway cruzando o deserto do Arizona ou o Coyote finalmente conseguindo garfar o Papa-Léguas montado naquele foguete da Acme.
Mas a viagem de First Kiss é também pra pista. É só afinar um pouco o ouvido pro baixo solto, duelando com a guitarra durante o solo, e se soltar rodopiando num rockabilly um tanto mais selvagem que o de costume. Embora eu ainda preferiria ela castigando os alto-falantes da minha caranga rumo o qualquer lugar até acabar a gasolina.
Sem perder o espírito estradeiro _ e nesse momento eu estava quase calçando meu coturnos e alugando um Mustang _ eu paraliso com Fralda. Não me pergunte e eu nem quero saber _ agora, pelo menos _ porque a música tem esse nome. Sem nenhum medo de arriscar, é a faixa com mais pegada, a mais macho, explosiva, pesada, a mais pauduro feita por uma banda brasileira que ouvi este ano.
Não, não acredite em mim, não, que eu tô de saída rumo ao meu Shelby Cobra GT500. Vai lá e ouve. O riff inicial _ remetendo a 3..s & 7..s, do Queens of the Stone Age, se é que estamos nos entendendo _ diria tudo por si só, mas entra Maria Elvira disparando versos como se só lhe restasse um suspiro e o que ela quer é cantar então manda tudo o que tem envergando a voz e segurando firme no pedestal do microfone enquanto a banda senta braços e pernas o máximo que pode.
É quando no bar começam a voar mesas, cadeiras, garrafas, papel higiênico pegando fogo, quer dizer, hora de zarpar.
São só três músicas no MySpace da banda. Mas se o Maria Elvira e os Suprassumos do Swing seguirem por essa mesma trilha quando gravarem mais umas duas e fizerem um EP _ eu torço logo por uma bolacha dupla _ dificilmente escaparão da lista de melhores do ano.
O meu voto _ e do meu VW Carmagia _ eles já tem.
Maria Elvira e os Suprassumos do Swing's Friend Space (Top 25)
Maria Elvira e os Suprassumos do Swing has 641 friends.
Peço licença para apresentar
esse que é o meu primeiro trabalho como músico instrumentista produzido de
forma completamente independente. Trata-se de um compilado de composições gravadas
durante a segunda metade do ano de 2008 e dos primeiros meses de 2009 para
clarinete, metalofone, bateria e percussão e com produção gráfica do artista plástico e cartunista Fabiano Gummo (www.myspace.com/fabianogummo). Nesse trabalho exploro o dialogo
entre os sons e ruídos urbanos com vertentes do free jazz e do experimentalismo.
Para maiores informações basta entrar em contato através do
e-mail:
E aí, pessoal! Quinta-feira agora a gente toca no Radar, na TVE às 18hs... e sexta-feira terá esse show no Garagem Hermética que vai estar muito legal: