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Os deuses reservaram para si a vida, e para os homens a morte.
Uma morte lenta, de mão dada com o tempo, patriarca omnipresente que nos escraviza e, lentamente, num requintado esfolar, despe-nos de toda a inocência, camada a camada, corte atrás de corte. Uma morte lenta, disfarçada de vida, caminho negro e oco, onde cumprimos o nosso papel de sermos apenas mais um grão de areia.
Até que por fim, nus e assustados, cravamos os joelhos no chão e, de mãos para o céu, rezamos que nos perdoem pelos pecados que não cometemos.
Rezamos por salvação.
Amanhã trará apenas um profundo silêncio.
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