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Motherfish is an indie rock band from Goiânia, Brazil active in the music scene since early 1993. They combine diverse elements like blues, new wave, folk, psychedelic with rock. The band consists of: Túlio Fernandes (rhythm guitar/vocals), Victor Rocha (vocals/lead guitar), Marlos Hiroshi (bass) and Hudson de Lima (drummer).
Their music is characterized by vocal harmonies inspired by The Jesus And Mary Chain and New Order coupled with liberal doses of noise.
After releasing five limited k-7, "Ding Music For Dong People (1994)", “Rock The Boat (2000)”, "Compilação (2001), “Trashrama (2002)” on their own and "Fast Food Songs (1999)" on Me And my Monkey Records. Their debut album, "Life Can be a Pretty Scary Thing" was released on December, 2007 on Monstro Discos. Produced by Túlio Fernandes and Gustavo Vazquez (Rocklab) on Monstro Discos.
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No princípio era o Verbo. Depois vieram o metal e o punk. No rock daquilo que já foi chamado de Terceiro Mundo é sempre assim. Com Goiânia não foi diferente. A virada dos anos 80 para os 90 apresentava uma cidade em trânsito pelo estreito curso compreendido entre paletadas metaleiras e ingênuos discursos anti-sistema. Uma única banda destoava deste entediante rame-rame, apresentando humor, influências espertas (Sonic Youth, Depeche Mode, Joy Division e pitadas de grunge) e flertes com a música pop – na época considerada o pior dos pecados sonoros. Enfim, uma única banda mostrava inteligência e criatividade. Até seu nome era legal: Motherfish.
Jaime Queiroz (bateria), Eduardo Nery (guitarra e vocais) e Túlio Fernandes (baixo e vocais) compunham uma espécie de núcleo duro dentre as diversas formações do Motherfish. Quando em 1994 eu montei o Mechanics (este é um release escrito em primeiríssima pessoa, não se esqueça disso!), tudo o que pretendia era ter uma banda criativa e inteligente. Como o Motherfish. Aliás, eles eram nossa única influência local. As outras bandas só apontavam pra onde jamais deveríamos ir. Não deixa de ser sintomático que os três sujeitos ingressaram e foram peças fundamentais na história do Mechanics. E se pensarmos que Hang the Superstars, MQN, Johnny Suxxx, Bang Bang Babies e Valentina derivam desta linhagem, não há como negar: na árvore genealógica do rock goiano, o Motherfish encontra-se bem na raiz.
O problema é que os caras nunca foram lá muito agilizados. Coisas de artista. Por isso um CD de estréia tão tardio quanto aguardado. Agora encarnado sob o baixo de Marlos Hiroshy (outro com culpa no cartório dos Mechanics), a batera de Hudson de Lima e o sempre presente Túlio Fernandes empunhando guitarras, vocais e alma, o Motherfish nos presenteia com Life can be a pretty scary thing. O título e a capa (cortesia do designer Victor Rocha, ex-Bicicleta Sem Freio) já dão o tom do problema: melancolia, paisagens áridas, amores áridos. Indie rock pra gente grande. E justiça seja feita, avesso a hypes e badalações, o introvertido Túlio Fernandes é, desde sempre, um dos mais afiados compositores do rock goiano, conforme atestam as 12 (ou seriam 12 e meia?) faixas do álbum.
Life can be a pretty scary thing acerta em cheio ao resgatar “Burning inside” e “You ask me why”, velhos clássicos da banda. Na bluesy “To hell with the devil” (provavelmente a mais envenenada do disco), Túlio exorciza demônios e deixa bem claro estar em busca de graça. E também de redenção, como mostra o ensolarado refrão de “A last time for everything”, com Mr. Hiroshy destilando um estiloso baixo borrachudo à la Peter Hook – que reaparece em “Superdreams last all summer long”. Na pegajosa “Criminal”, as eternas Hang The Superstars Eline e Janaína comparecem com seus indefectíveis gritinhos (também chamados de backing vocals), abrindo caminho pra um outro blues pesado, desta vez instrumental, “Anyone can take more than nothing”. Outra (semi) instrumental e absolutamente climática é “Peep show lady”. Mas o clima se adensa mesmo é na hipnótica “Kerouac days”, com letra escrita sob medida por Eliane Corrêa, a Sra. Túlio Fernandes.
Daí eu paro pra pensar no panorama da música pop atual: The Killers, The Strokes, The Rapture, The Arcade Fire,... Muito “the”, muito hype, muito papo e pouquíssimo som. Quando ouço, por exemplo, os novos trabalhos do New Order, The Cure e Depeche Mode, a certeza que fica é que os velhotes ainda dão um banho na molecada. O mesmo acontece com o Motherfish. Diante da xaropice quase generalizada do novo indie rock brasileiro, o imperdível Life can be a pretty scary thing coloca todo mundo no bolso. Não tenha dúvidas, os titios dão no couro.
Márcio Jr.
Vocalista dos Mechanics
Veja Entrevista que dei para o Programa “Repertório Independente”, onde eu falo de minha carreira, minha história e apesar de estar bastante gripado, ainda canto algumas canções.
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