|
Freelance musician and artisitic director for the ensembles A
Imagem da Melancolia and L'Universo Sommerso
"Um dia ouvi um concerto e a minha vida mudou". Assim, parafraseando
um personagem de Pamuk, poderia começar a biografia de Pedro Sousa Silva.
Esse evento, vagamente situado no ano de 1990, marca o início de uma
viagem que nos traz a este momento e a este local.
Foram sobretudo os encontros que mapearam o percurso: Pedro Couto Soares na
Escola Superior de Música de Lisboa e, mais tarde, Pedro Memelsdorff
na Civica Scuola di Musica em Milão foram mestres que deixaram marca
indelével, e cujos ensinamentos são o fundamento da expressão
de Pedro enquanto intérprete. Outros ainda - como Ana Mafalda Castro,
Jill Feldman, Kees Boeke, Miguel Ribeiro Pereira ou Rainer Zipperling - ofereceram
lições que até hoje não chegaram ao fim.
Pedro tem a enorme felicidade de poder contar com os melhores companheiros
de viagem que poderia desejar. Músicos como Amandine Beyer, Ana Mafalda
Castro, Andrea Fossà, Andrea Guttmann, Baldomero Barciela, Ignazio Schifanni,
Marcos Magalhães, Olavo Barros, Pedro Couto Soares, Pedro Castro ou
Ronaldo Lopes são, para além de cúmplices, fonte inesgotável
de inspiração e entusiasmo.
Consequência da sua especialização num instrumento – a
flauta de bisel - e num reportório – a polifonia anterior a 1750
- Pedro é convidado regular de vários grupos de música
antiga, mas é com os seus projectos L'Universo Sommerso e A Imagem
da Melancolia que desenvolve a maior parte da sua actividade concertística.
A postura artística de Pedro, reflectida nos seus grupos, assume a Música
como uma das três vias possíveis para se fugir à Morte
(sendo as outras a Poesia e o Amor), recusa o entretenimento como elemento
inerente à Arte e coloca o intérprete numa posição
de intermediário idealmente invisível entre a Música e
o Ouvinte. Enquanto intérprete, Pedro apresentou-se em inúmeros
pontos de Portugal, Espanha, França, Itália, Suíça
e Holanda e gravou discos com as Vozes Alfonsinas, o Coro Gulbenkian e A Imagem
da Melancolia , sempre utilizando cópias de instrumentos originais construídas
pelos seus amigos Adrian Brown, Luca de Paolis e Monika Musch.
O ensino é outra das expressões de Pedro enquanto músico,
dedicando-lhe parte considerável do seu tempo. Demonstrando-se que o
destino é um ironista (ou, segundo outra versão, que a vida tem
muitas esquinas), é no local onde escutou o concerto referido no exórdio
que exerce funções docentes, mais concretamente no Curso de Música
Antiga da Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo,
no Porto. É também convidado frequentemente para leccionar em
cursos de aperfeiçoamento, tanto em Portugal como no estrangeiro.
Porque não há duas sem três, Pedro encontra na pesquisa
outra vertente da sua profissão. Após realizar estudos de musicologia
na Universidade Nova de Lisboa, prepara agora uma dissertação
de doutoramento sobre o manuscrito Porto 714 na Universidade de Aveiro.
Nos poucos momentos em que não está ocupado a ser músico,
Pedro gosta de olhar para o mar, ou de fazer outra coisa qualquer.
|