CHÃO é um projecto que propõe a ocupação temporária de espaços urbanos devolutos ou em transição, através de actividades concebidas a partir da especificidade de cada local.
CHÃO: Rua Mendo Estevens, 78
13 a 20 de Setembro 2009
@ Rua Mendo Estevens, 78 (à porta de Machede Velho) ÉVORA
Rua Mendo Estevens, 78. O terreno e edifícios do nº 78 da Rua Mendo Estevens, em Évora, albergaram a partir de 1920 a Cordoaria dos Santos Pereira, cujo neto é o actual proprietário.
Para além do espaço onde as cordas eram fabricadas, hoje alugado como depósito de lenha, as restantes edificações serviam de habitação ao dono e a alguns operários.
O projecto consistirá na deslocação da equipa Chão para a casa principal da Rua Mendo Estevens 78, com o objectivo de levar a cabo in loco a biografia do lugar e a documentação dos dados recolhidos.
Esta investigação terá a particularidade de ser feita não a partir de documentos, que parecem estar em falta, mas recorrendo antes à "reconstituição dos acontecimentos". Neste sentido, tanto em relação à cordoaria como aos espaços domésticos, propomo-nos não só recolher os testemunhos de quem fez parte do seu passado, como evocá-lo a partir da actualização dos gestos e acções que aí tiveram lugar. Com a ocupação da casa principal por parte da equipa Chão pretendemos recuperar certos gestos e acções passadas, mesmo se porventura as mais banais. Acções quotidianas como dormir, cozinhar ou comer, vistas não como especificamente nossas, mas como “genéricas”, serão assim repetidas e poderão ser documentadas. O resultado serão documentos “em segunda mão” ou, no extremo, gestos/documentos encenados.
PROGRAMA:
Sábado, 19 de Setembro (a partir das 17h) | apresentação pública dos resultados da estadia da equipa Chão em Évora. Convidado especial: The Beautiful Schizophonic.
"The Confort Zone" - instalação sonora - The Beautiful Schizophonic
"Romance de Cordel" - poesia visual - Susana Mourão
"Dar Corda à Conversa" - depoimentos vídeo - Susana Mourão e Susana R. Martins
"Pull my strings, and I'll go far" - instalação sonora / concerto - Miguel Sá
e ainda:
DJ set, a partir de gravações de campo, Nuno Bernardino (18:30h)
"Dar o Nó", loop sonoro, Susana Mourão (19:15h)
Concerto, integrado em "Pull my strings, and I'll go far", Miguel Sá (19:45h)
"Play Évora", projecção vídeo, Marta Galvão Lucas (20:30h)
"Estevens 1, 2, 3 e 4", projecção vídeo, Susana Ribeiro Martins (22:30h)
Concerto, The Beautiful Schizophonic (23:15h)
Vídeo e improvisação musical, Jari Marjamaki (23:45h)
CALENDARIZAÇÃO:
20 e 21 Junho | 1ª estadia em Évora em local exterior ao espaço: visita e início de contactos
16 a 23 de Agosto | 2ª estadia em Évora em local exterior ao espaço: definição de plano de trabalho, início da investigação e continuação de contactos
13 a 20 de Setembro | Ocupação da casa principal: continuação de investigação e documentação in loco
19 de Setembro | Apresentação pública dos resultados da ocupação
CHÃO: Rua Anchieta, 31
22 a 29 de Julho 2009
@ Rua Anchieta, nº31 (esquina com Rua Garrett, Chiado) LISBOA
Rua da Anchieta, 31. Construído após o terramoto de 1755, no âmbito da extensão ao Chiado do plano pombalino de reconstrução da Baixa, o edifício nº 31 da Rua Anchieta, que faz esquina com a Rua Garrett (nºs 69 a 75), albergou desde 1773 no seu piso térreo a livraria Bertrand. A livraria foi fundada em 1732 por Pedro Faure, e instalou-se inicialmente na esquina da Rua Direita do Loreto com a Rua do Norte. Depois da sociedade com os irmãos Pierre e Jean Joseph Bertrand, o estabelecimento passou a chamar-se Pedro Faure e Irmãos Bertrand, tendo adoptado ainda outras designações até chegar à que hoje conhecemos. A livraria passou também por várias gerências e por uma outra localização antes de se fixar na Rua Garrett/Anchieta. Os restantes pisos, actualmente desocupados, albergaram até recentemente os escritórios da Editora Bertrand, tal como escritórios de outras empresas, consultórios médicos e habitações privadas. Os planos actuais para o local prevêem a reabilitação dos pisos superiores do edifício para habitação.
PROGRAMA Com o programa proposto pretende-se abordar o tema das Letras através da palavra escrita, inscrita e dita.
22 a 29 de Julho | RE INVENTAR O DIA CLARO
Quarta a Quarta, das 15 às 20h (dia 22, horário alargado das 22h às 24h)
instalação de Paulo T. Silva
A intervenção parte do mixed-media “Almada, Nome de Guerra” (1969-1983), do artista português Ernesto de Sousa (1921-1988) e da obra literária de Almada Negreiros (1893-1970). Como noutros trabalhos que realizou, Ernesto de Sousa convoca nesta peça o génio de Almada Negreiros, recorrendo a textos do autor e ao material documental (filme, fotografias, registos sonoros) que ele próprio recolheu ao longo de anos em entrevistas com Almada e em filmagens no seu atelier e noutros locais de trabalho.
22 a 29 de Julho | RE COMEÇAR
Quarta a Quarta, das 15 às 20h
esboço de inventariação de “Almada, Um Nome de Guerra” de Ernesto de Sousa
“Almada, Um Nome de Guerra” é provavelmente a obra/projecto mais complexa de Ernesto de Sousa. Mixed-media iniciado em 1969 e apresentado em público pela primeira vez em 1983, é composto por diapositivos, filmes, diversas gravações sonoras, e música original de Jorge Peixinho. Para além do compositor português, colaboraram com Ernesto de Sousa nesta obra, entre outros, o designer Carlos Gentilhomem e o artista Fernando Calhau.
23 de Julho | PALAVRA OU OLHAR?
Quinta, 21h30
debate com E. Mello e Castro, Fátima Lambert, Fernando Aguiar e José Bártolo
Debate sobre a evolução da poesia visual / concreta / experimental portuguesa: dos caligramas de Almada Negreiros à era do digital.
24 de Julho | UMA CRIAÇÃO CONSCIENTE DE SITUAÇÕES
Sexta, 21h30
debate sobre a obra e o legado de Ernesto de Sousa
com Adriana Sá, Filomena Sousa Gomes, João Fernandes, Leonel Moura e Rui Eduardo Paes.
O percurso de Ernesto de Sousa (Lisboa, 1921-1988) parte de uma formação em ciências, cinema e artes plásticas e abrange os mais variados acontecimentos, acções e situações. Com este debate pretende-se discutir o papel de Ernesto de Sousa no contexto artístico português e estrangeiro dos anos 60 a 80 e a actualidade da sua abordagem à prática artística – da interdisciplinaridade ao mixed-media, da citação à participação.
25 de Julho | WORKSHOP DE TIPOGRAFIA
Sábado, das 14 às 18h
Workshop orientado por Paulo T.Silva e M. M. Malaquias
Uma abordagem à definição, função, forma, criação, desenho e história da Tipografia, da sua origem aos processos digitais.
O workshop incluirá a projecção de HELVETICA (80’, cor, som, 2007), filme de Gary Hustwit dedicado ao impacto desta fonte na tipografia, no design gráfico e na cultura visual. Inclui testemunhos de, entre outros, Erik Spiekermann, Wim Crouwel, Neville Brody, Stefan Sagmeister, David Carson, Paula Scher, Experimental Jetset e Rick Poynor.
Apresentação ao vivo da peça sonora criada a partir de "A Invenção do Dia Claro", de José de Almada Negreiros. Por Jari Marjamäki (laptop), Luís Elgris (voz pré-gravada), Lula Pena (voz), Miguel Sá (laptop) e Paulo T. Silva (proposta).
Morada: Rua Anchieta, nº 31 (esquina com Rua Garrett, Chiado) Transportes: Metro Baixa-Chiado, Eléctrico 28, Autocarros 58 e 790 ENTRADA LIVRE em todas as actividades!
CHÃO: Rua da Trindade, 18
1 a 7 de Fevereiro 2009
@ Rua da Trindade, nº18 (ao Largo do Carmo) LISBOA
Rua da Trindade, 18. Erguido numa pequena parcela do terreno outrora pertencente ao Convento da Trindade, o edifício nº18 da Rua da Trindade, ao Largo do Carmo, foi ocupado durante o século XX pela "Reparadora Electro-Mecânica D. Moura", pela oficina metalúrgica de "D. Moura, Sucessores, Lda", e, consecutivamente, pelos escritórios e gabinetes de projecto e de desenho das empresas FRINIL (Frio Naval e Industrial) e ENI (Electricidade Naval e Industrial). Em 2001 o edifício foi adquirido pelo arquitecto Paulo Serôdio, que projectou a sua remodelação em habitações. O projecto nunca foi construído e, presentemente, o edifício encontra-se à venda.
PROGRAMA Com o programa proposto pretende-se explorar as características arquitectónicas do edifício nº 18 da Rua da Trindade, e a prática de projecto e de desenho associadas ao seu passado mais recente, nomeadamente, durante a ocupação do recinto pelas empresas FRINIL e ENI, e durante o período em que este esteve vazio, mas em que o próprio edifício foi objecto de projecto.
Apresentação do projecto de remodelação do edifício da Rua da Trindade nº 18 da autoria do arquitecto Paulo Serôdio. O projecto, até hoje não construído, dará o mote a uma conversa à volta da relação entre as intervenções arquitectónicas pontuais e os grandes planos de reabilitação. O exemplo da Baixa-Chiado será ainda abordado pelos arquitectos Ricardo Carvalho e Filipe Mónica, que intervieram já na zona, e pelo arquitecto Manuel Salgado, actual Vereador do Pelouro do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa.
entrada livre
2 a 7 Fevereiro | Oficina de Desenho
Segunda-feira | 18h | João Favila Menezes, Rui Mendes
Terça-feira | 18h | Fernando Brízio, Fernando Poeiras
Quarta-feira | 21h30 | Alexandre Estrela
Quinta-feira | 18h | Guida Casella
Sexta-feira | 18h | Jorge Gaspar, Ana Jotta
O Desenho será abordado durante cinco sessões ao longo da semana, a partir de diferentes disciplinas. As intervenções poderão tomar a forma de aulas práticas, conferências ou acções, em sessões orientadas individualmente, em parceria ou em simultâneo. O programa começará com uma aula teórica dos arquitectos João Favila Menezes e Rui Mendes (2ª-feira), seguindo-se uma aula conjunta pelo designer Fernando Brízio e Fernando Poeiras da área das Ciências da Comunicação (3ª-feira), a apresentação dos projectos “Manual” e “Handling the Void” pelo artista Alexandre Estrela (4ª-feira), a demonstração/sessão de desenho arqueológico pela ilustradora científica Guida Casella (5ª-feira) e, na última sessão, a palestra do geógrafo e professor catedrático jubilado Jorge Gaspar, que acontecerá em simultâneo com a acção “Santa Fé” da artista Ana Jotta (Sexta-feira).
Quatro projectos portugueses foram desafiados a explorar as características arquitectónicas e acústicas do espaço, em duas noites de concertos: Whit, projecto de “gira-disquismo” (vulgo pratos de vinil) com Nuno Moita, Miguel Sá, Fernando Fadigas e Pedro Lopes; Flu reúne Gabriel Ferrandini (bateria), Bruno Parrinha (sax alto, electrónica), Diogo Palma (baixo), e Travassos (tapes, noise), num projecto novo que recebe influências do free jazz e do “noise” electrónico; Quarteto Zyryab, formado por Luís Roldão, Ricardo Nogueira, Daniel Sousa e Luís Aveiro, todos em guitarra, interpretaram peças de Leo Brouwer, Flores Chaviano, Carlos Paredes (com arranjos de Pedro Louzeiro), Ka'mi e Marco Oppedisano; Sei Miguel Unit Core com Guilherme Rodrigues, conta com Sei Miguel (trompete, escrita e direcção), Fala Mariam (trombone alto), César Burago (percussão) e o convidado Guilherme Rodrigues (violoncelo).
No seguimento da Oficina de Desenho, foi realizada uma Feira Franca dedicada a esta disciplina. Para além das áreas abordadas ao longo da oficina, pretende-se dar também visibilidade à crescente produção associada à ilustração e ao grafitti e a suportes como revistas, fanzines, cartazes, flyers, capas de discos, etc. Assim, foram convidados os desenhadores residentes em Lisboa, ou de passagem, a trazer as suas pastas, blocos, cadernos ou “books”. O som esteve a cargo de Yari e Nuno Bernardino.
entrada livre
CHÃO: Rua Rodrigues Faria, 103 18, 19, 20 de Setembro 2008
@ Rua Rodrigues Faria, 103 (LX Factory) LISBOA
Lx Factory é a actual designação do complexo fabril instalado em Alcântara pela Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense em 1846, e posteriormente ocupado pela Companhia Industrial de Portugal e Colónias, tipografia Anuário Comercial de Portugal e Gráfica Mirandela.
PROGRAMA Para o espaço da LX Factory o projecto Chão propôs um conjunto de actividades centradas na história dos seus edifícios e nos temas da reabilitação urbana e da industrialização.
18 de Setembro
Quinta-feira | 22h
BERLIN BABYLON, um filme realizado por Hubertus Siegert (Alemanha, 2001, 88 min.), abre a primeira noite. O filme documenta as intervenções urbanísticas e arquitectónicas levadas a cabo no centro da cidade de Berlim entre 1996 e 2001. Berlin Babylon mostra-nos o processo político por detrás desta transformação, tal como o papel que nela tiveram arquitectos como Norman Foster, Rem Koolhaas, Renzo Piano e Ieoh Ming Pe.
A banda sonora original do filme é da autoria do mítico grupo do "rock industrial" alemão dos anos 80 Einstürzende Neubauten, e deu o mote a um DJ set de NUNO BERNARDINO e ao programa de concertos e performances previstos para as duas noites seguintes.
A seguir ao filme o público presente foi convidado a participar numa Ronda Nocturna pelos terrenos da LX Factory, para a qual serão munidos de um roteiro do local realizado no âmbito do projecto.
19 de Setembro
Sexta-feira | 21h
Sob o título de MÚSICA INDUSTRIAL PORTUGUESA, a segunda noite contou com uma aula aberta dedicada a este tema, em tom de conversa, a cargo de José António Moura (Flur) e Isilda Sanches (Rádio Oxigénio), com os convidados Fernando Cerqueira (This.co), Miguel Sá (variz.org) e Carlos Matos (Fade In).
A sessão incluiu um DJ set com cassetes vintage por M.SA e MAJOR, assim como, uma pequena exposição de memorabilia referente à época em discussão 80's/90's.
Seguiu-se um concerto do colectivo português OSSO EXÓTICO, com André Maranha, David Maranha e Patrícia Machás.
20 de Setembro
Sábado | 22h
A última noite do evento, intitulada OFICINA NOVA, trouxe-nos o trabalho recente de artistas nacionais e estrangeiros das áreas da música electrónica e vídeo. A apresentação conjunta dos vários projectos é inspirada em processos industriais como a produção em série e a linha de montagem. Integraram esta oficina os projectos "DEBRIS", "LINHA DE MONTAGEM", "COMMERCIALS UNAUTHORIZED" e ZENTEX.
"DEBRIS" – Found objects, Field recordings, Tapes. Travassos, João Silva, Carlos Santos e Emídio Buchinho. Quatro músicos / performers / manipuladores munidos com microfones e gravadores, construiram em tempo real uma peça difundida em directo, através da exploração sonora do espaço e da manipulação de objectos recolhidos no local.
"LINHA DE MONTAGEM": 18 músicos da electrónica residentes em Portugal foram convidados a conectar entre si, em modo sequencial, os respectivos laptops e a reprocessar captações sonoras feitas in loco, num momento inédito de improvisação com André Gonçalves, Carlos Pereira, Carlos Santos, Fernando Fadigas, Francisco Janes, João Castro Pinto, John Klima, Miguel Sá, Nuno Bernardino, Nuno Moita, Nuno Morão, Pedro Boavida, Pedro Lopes, Rui Costa, Ru*mor*, The Beautiful Schizophonic, Vítor Joaquim e Yari.
"UNAUTHORIZED COMMERCIALS" (anúncios não autorizados) são filmes publicitários para marcas conhecidas produzidos sem encomenda pela dupla alemã GRAW BöCKLER (Raum für Projektion) foram apresentados em parceria com o músico POPNONAME (Italic / Firm), a aposta da Kompakt com origem em Colónia, fez a sua estreia em Lisboa. Unauthorized Commercials é uma reflexão artística sobre o filme promocional. Ao contrário dos anúncios comuns em que os produtos são mostrados sem a sujidade do uso, os produtos de marca são aqui apresentados na sua rotina diária.
ZENTEX, identidade criativa de Jari Marjamaki, produtor finlandês residente em Lisboa desde o início dos anos 90, fechou a noite com uma vibrante actuação ao vivo.
Safety Scissors, um projecto de Matthew Patterson Curry - músico sediado em San Francisco e nascido em Minneapolis - assume-se como um híbrido de música electrónica e singer/songwriting na procura do formato tradicional da canção por meios digitais. As canções orelhudas de Curry evocam atmosferas lo-fi da década de 90, ao mesmo tempo que sorrateiramente introduzem um feeling dub-tecno. Safety Scissors, abre as portas de "A Quinta Dimensão", rubrica que terá lugar na primeira quinta-feira de cada mês no MusicBox, programada pela promotora/editora variz. org. A dupla Tra$h Converters promete expor, com minúcia, os trocadilhos de pista e os ecletismos inerentes a estas noites do outro mundo.
Viva, obrigado pelo convite e bem vindos à Ulistânia. Como o vosso projecto não se limita a uma componente musical, só algumas coisas é que irão estar agendadas na Ulistânia. Se quiserem publicitem nos comentários e vão avisando quando tiverem novas iniciativas. Boa sorte para o projecto abraço sonoro