Já se vão dois anos desde o primeiro (e informal) ensaio do que viria a se tornar o Valsa Binária. Quando o Valente e o Alex conversavam no já extinto bar Otoni 16 sobre a vontade de fazer um som, sem muito compromisso, não resisti e descaradamente me ofereci para tocar trompete (?????). Marcamos o ensaio e acabei nem levando o trompete, peguei o instrumento que eu de fato sei tocar, a guitarra, pluguei e.... surgiu a pergunta: "O que vamos tocar?" Bom, eu tinha uns riffs, alguns pedaços de músicas e até umas três canções quase prontinhas que não haviam sido aproveitadas nos "Gardenais". Começamos a tocar e de cara já rolou uma química, mesmo com as músicas incompletas e eu balbuciando "lá lá lás" ao microfone em meio a letras incompletas e frases soltas. Era de se esperar, pois meus dois companheiros haviam tocado juntos na banda "Carol Nas Nuvens" e o Alex tocou ao meu lado durante anos nos "Gardenais".
Os ensaios, esporádicos no início, foram ficando mais freqüêntes e o trio foi ganhando corpo, entrosamento e confiança e as canções foram tomando forma e ganhando estrutura. Começamos a nos apegar ao que estávamos produzindo e a idéia de simplesmente "fazer um som" foi evoluindo e o vislumbre de um registro, ainda que virtual, do trabalho nos seduzia cada vez mais.
Sentimos falta de novos elementos nas músicas e de um(a) vocalista que assumisse o microfone, até para que eu pudesse me concentrar mais na guitarra. E em algumas músicas sentíamos a falta de outro instrumento, ora um teclado, ora outra guitarra, ora algo diferente. Com a dificuldade de achar quem tivesse o perfil para (ou quisesse :-) entrar na banda, comecei a contemplar a possibilidade de me efetivar nos vocais, e com o apoio dos companheiros, acabei assumindo a função definitivamente.
Foi nesse contexto que surgiu a idéia da participação do meu compadre carioca Gustavo Saiani. Guitarrista de ofício, mas multi-instrumetista de coração, Gustavo era o tempero que faltava ao Valsa Binária. Trombone, flauta, teclado, guitarra e clarinete são apenas algumas das possibilidades sonoras que a banda ganhou com a entrada do "quarto elemento". Fechada a formação, começaram as sessões de gravação do álbum que esperamos concluír até o fim de 2009, mas se não der não vamos perder cabelos. O fato de Gustavo morar no Rio torna o processo de gravação mais lento, mas pelo lado bom dá tempo para as músicas irem amadurecendo no ritmo certo. E, cá pra nós, pressa é uma coisa que não temos no Valsa Binária, e o que queremos é que as pessoas que ouçam ou assistam ao show se divirtam tanto quanto nos divertimos estando juntos, seja no palco, no estúdio ou no boteco da esquina.
Leo Moraes
Outubro de 2009