After 10 years as a band, several line-ups and lots of concerts in Portugal and abroad, this “Hemisférios” (Hemispheres) recording appears as an abridgement of the path trailed over the past 4 years by a band with no match in the Portuguese musical scene and one of the most exported Portuguese bands ever.
If the 70’s radicalism meant playing exactly like in the oral tradition recordings, in the 90’s that radicalism was way off, with orchestrations, harmonisations and instrumentations that little or nothing had in common with the oral tradition recordings.
If there ever was any coyness or prudeness about being different and taking chances, these are gradually being abandoned – not very easily, we must say – by new generations working on the Portuguese oral tradition repertoire.
In Dazkarieh the goal lies not in being different and taking chances; rather, there’s no goal other than making music, either through composition or by rearranging a rich and diverse musical tradition such as ours.
We stand before a group of excellent young musicians and instrumentalists who never had tradition as their starting point. Their musical influences demonstrate.so. This intimate relation became a natural process which has revealed itself invaluable to Portuguese music.
If for some people the excessive electric experimentation is a sin, one should point out that the acoustic feature has never quite disappeared from the Dazkarieh sound. Moreover, it’s the group’s trademark and one of the cornerstones of their compositions.
The inclusion of new instruments such as the hurdy gurdy and the drums, up until now quite absent from the vast creative palette utilised, as well as the growing attraction for exclusive and custom instruments (notice the Portuguese bouzouki – half bass and half Portuguese guitar – the Portuguese bag pipes, the 10-string mandolin), allow for a greater and more powerful sound, perfectly plain in their concerts.
The production of a double CD came naturally out of the need for affirmation of a reality already present in their concerts in the past 4 years. If on the one hand, the early compositions were based on several musical geographies as the starting point at their genesis, the latter works are a respectful embrace of an ever-changing tradition. And that is revealed in “Hemisférios”. Two sides of the same coin, the strong originality and the need to keep everything in its rightful place. On one disc, their originals hardly prone to be labelled, and on the other, their own version of that Portuguese music oral tradition. From this electric-acoustic duality comes an outstanding work, a definite affirmation and an even greater challenge in the creation of even more unique and unrivalled music.
Nuno Gonçalo Barros
Lisbon, January 21st, 2009
Depois de 10 anos de grupo, várias formações e muitos concertos em Portugal e no estrangeiro, este “Hemisférios” surge-nos agora como uma súmula do caminho percorrido nos últimos 4 anos por um grupo incomparável no meio musical português e um dos mais internacionais de sempre.
Se nos anos 70 o radicalismo era tocar exactamente como nas recolhas, nos anos 90 esse radicalismo já se centrava em formas diametralmente opostas ao recolhido, com orquestrações, harmonizações e instrumentações que pouco ou nada tinham que ver com essas recolhas.
Se sempre houve algum pudor e timidez em fazer diferente e arriscar, estes têm sido gradualmente abandonados, a custo, importa dizer, pelas novas gerações que trabalham o repertório de tradição oral portuguesa.
Em Dazkarieh o objectivo não é fazer diferente ou ser radical, aliás, não há qualquer objectivo para além de fazer música. Seja compondo originais, seja trabalhando uma tradição rica e diversificada como é a nossa.
Estamos perante um grupo de jovens músicos e excelentes instrumentistas que nunca tiveram a tradição como ponto de partida. As suas influências musicais assim o revelam. Esta aproximação acabou por ser um processo natural e que se tem revelado bastante proveitoso para a música portuguesa.
Se para alguns o excesso de experimentação eléctrica é um pecado, convém reparar que o acústico nunca desaparece no som dos Dazkarieh, aliás essa é uma imagem de marca do grupo e uma das premissas básicas das suas composições.
A inclusão de novos instrumentos como a sanfona e a bateria, até agora alheios à já vasta paleta criativa utilizada, bem como a cada vez maior atracção por instrumentos costumizados e exclusivos (vide o bouzouki português - meio baixo meio guitarra portuguesa, a gaita transmontana com chave, o bandolim de 10 cordas) permitem agora uma maior e poderosa objectividade sonora, que é bem espelhada nos seus concertos.
A gravação de um disco duplo, surgiu naturalmente da necessidade de afirmação de uma realidade que já faz parte dos seus concertos há cerca de 4 anos. Se por um lado as composições originais, baseadas em várias geografias musicais, foram o ponto de partida na sua génese, os últimos são já um abraçar respeitoso a uma tradição que não é imutável. E isso mesmo se revela em “Hemisférios”. Duas faces da mesma moeda, uma grande originalidade e a necessidade de colocar cada coisa no seu lugar. Num dos discos, os seus originais, que serão dificilmente rotuláveis, e no outro a sua versão da música de tradição oral do nosso país. Da dualidade, eléctrico/ acústico, surge-nos uma obra ímpar, uma afirmação e um desafio ainda maior na criação de música cada vez mais única e singular.
té té*.*Adoro as vossas músicas ...e as deste cD Hemisfério são mágicas*é impossível escolher a melhor...:D beijinhOo cheinhOo dii cores* boas vibrações para todos*
Olá Dazkarieh :D O público do Barreiro é que agredeçe a vossa vinda até cá! Mais uma vez, Adorei ver-vos ao vivo! Aqui fica uma pequena filmagem do vosso concerto no Barreiro :) ****************
(...) O destaque deste 214º episódio do nosso espaço radiofónico vai para o mais recente e 'poderoso' «Hemisférios» dos cada vez mais conhecidos (fora de portas?) Dazkarieh. Sem me alongar muito em considerações críticas, apenas quero deixar aqui duas ou três ideias a respeito do quarteto de Vasco Ribeiro Casais (bem acompanhado por Joana Negrão, Luis Peixoto e... André Silva). Finalmente, um álbum duplo onde se nota uma cada vez maior abordagem à tradição musical portuguesa, uma mistura de arranjos e composições originais mas sempre com abordagens muito vanguardistas. Arrisco-me quase a dizer (em jeito de comparação) que os Dazkarieh estão hoje para a cena folk nacional como estiveram há uns anos os Hedningarna para a cena folk europeia. Parece exagerado? Talvez para quem ainda não se concentrou em ouvir um disco ou a assistir a um concerto dos Dazkarieh... ou a acompanhar a evolução desta banda lisboeta, a todos os níveis, desde o seu primeiro disco oficial até ao presente. E depois há 'aquilo' que faz verdadeiramente a diferença entre as bandas que se querem assumir e os outros ensembles que apenas se querem... passar o tempo: profissionalismo! Em resumo: a cada vez maior solicitação para fazer digressões internacionais e o crescente número de admiradores (cá e noutros países)... faz dos Dazkarieh um verdadeiro exemplo de sucesso. (...)
Eu confesso que me senti envergonhado de Portugal quando descobri que o grupo genial, que ouvi pela primeira vez há 3 semanas, já tem 10 anos de existência! Já tive o prazer de ouvir grande parte do vosso trabalho, e tenho de vos dar os sinceros parabéns pela vossa sonoridade.
Évora....Mais um grande concerto! :D Foi pena só ter sido uma horita e meia, ou algo por aí... Mas foi excelente! Tudo de muito bom para vocês todos e muita energia! Um grande abraço da minha parte e um beijo da Claudia
Amigos... somos fãs autenticos do vosso trabalho... de todos os espíritos que espantaram no passado, mas principalmente destes dois hemisférios.... é duma qualidade arrepiante. No porto, politiquices à parte, quem vos viu não quis saber da chuva. Era ver-nos a delirar com a Safaro e a Adelina :p A borda d'água é a melhor música folk do ano passado (pra mim)... e vocês estão cada vez mais afectos a vocês próprios, o que além de ser raro é difícil...
e não fora os vossos técnicos a pedir Socorro por causa do material... tínhamos lá ficado que nem pintos, com todo o prazer do mundo =) parabéns...!