Empreitada perigosa é o quarto CD do Matuto Moderno, banda que em 2009 completa 10 anos. É também o primeiro trabalho com o baterista Ricardo Berti que substituiu Ivo Junior em 2006. O CD anterior “Razão da Raça Rústica” , de 2005, era totalmente autoral e em contraponto o grupo escolheu gravar para o “Empreitada Perigosa” somente versões de importantes compositores do cancioneiro caipira de várias épocas., sendo esse o primeiro trabalho com essa característica.
Entre 2005 e 2008, fase intermediária entre os 2 CDs os membros do Matuto Moderno conviveram muito com a música raiz autêntica, Marcelo Berzotti, o baixista da banda acompanhou as duplas Índio Cachoeira e Cuitelinho, Carreiro e Carreirinho. Ricardo Vignini produziu 3 CDs do Índio Cachoeira, “Convite de Violeiro”, com seu Parceiro Cuitelinho - 2006, “Solos de Viola Caipira” - 2007 e “Violeiro Bugre” – 2008. No mesmo ano Ricardo Vignini também foi um dos produtores do DVD “Hístorias e Raízes” com Os Favoritos da Catira e Os Mensageiros de Santos Reis. No Ano de 2007 Ricardo foi curador do projeto “O Brasil Caboclo de Cornélio Pires” no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília e São Paulo, projeto da Brasil Festeiro com as maiores duplas de música raiz em atividade, participaram; As Galvão, Zé Mulato e Cassiano, Cacique e Pajé, Pedro Bento e Zé da Estrada, Liu e Leo, João Mulato e João Carvalho, Índio Cachoeira e Cuitelinho, Jacó e Jacozito e Os Favoritos da Catira.
Dessa convivência foi sendo moldado o “Empreitada Perigosa” , CD lançado pelo selo Folguedo, único do Brasil focado apenas em viola, que é de Vignini e conta com a distribuição da Tratore.
Faixa a Faixa
O CD começa com “Viola Cósmica” de Gildes Bezerra e Pereira da Viola, gravada inicialmente para a coletânea “Moda nova”de 2003, a banda decidiu regra vá-la, pois ela sintetiza muito bem o espírito do Matuto Moderno. /
“Caminheiro” de Anair de Castro e Jack, o dueto dessa faixa é feito com Alex Mathias e Edson Fontes, filho do “Seu Oliveira” do grupo Os Favoritos da Catira, Edson faz parte do Matuto Moderno desde 2002.
Duetos de vozes e violas em “Ecologia Brasileira” de índio Cachoeira e Cuitelinho que também participam da faixa.
Escutando as histórias de Pedro Bento sobre a dupla com o Zé da Estrada surgiu a vontade de gravar a canção rancheira “Seresteiro da Lua” de Pedro Bento e Cafezinho, que com o Matuto ganhou uma versão mais lenta e doce. A dupla Pedro Bento e Zé da Estrada era a dupla preferida de José Carlos Berzotti pai do baixista Marcelo Berzotti.
“Índia” de Herminio Gimenez, José Fortuna e Pinheirinho Jr é uma das canções que já tiveram muitas versões não só no Brasil como na América Latina, e o Matuto não podia deixar de ter a sua, que resultou em um arranjo radical em formula de compasso 4/4.
Vidal França, baiano de Aporé é o autor de “Canção de Jovino” , que originalmente foi lançada no vinil “Fazenda” de 1983, bolacha essa que andava nas vitrolas dos membros da banda há muitos anos e depois. Vidal tornou-se amigo do Matuto Moderno no seu extinto “Lua Nova”, bar refúgio dos cantadores em São Paulo, essa música ficou com um arranjo bem pop e diferente da original com guitarras distorcidas e bateria marcante.
“Cabocla” de Tonico e Tinoco, a dupla coração do Brasil não poderia deixar de estar presente em um CD de homenagens do Matuto Moderno, novamente com dueto de voz de Alex Mathias e Edson Fontes, contou também com a participação de Márcio Miranda no violão de 7 e cavaco. Márcio participou de todos CD’s da banda.
“Empreitada Perigosa” de Moacyr dos Santos e Jacozinho ficou com uma característica marcante do Matuto Moderno que é a execução de pagodes de viola com baixo, bateria, guitarras e percussões aliadas à viola caipira, Empreitada Perigosa intitula o CD pelo desafio da banda em lançar seu primeiro trabalho não autoral.
No começo de 2000 bandas do interior de São Paulo e capital começaram a se organizar para projetar suas carreiras, “Fulanos de Tal” de Rio Claro foi uma das que junto com o Matuto Moderno compartilhou dos mesmos ideais. “O Cururu” de Newtom Barreto é considerado um clássico dessa época por isso está presente no CD.
Com seria um sacrilégio gravar um CD de viola sem Tião Carreiro e Lourival dos Santos, “Navalha da Carne” aparece com uma introdução muito interessante e sua letra tem uma temática muito atual, quase um rap.
O arrasta pé “Curimbatá” , de Palmeira e Mario Zan, faz parte do repertório do Matuto Moderno desde o primeiro show da banda e agora tem sua versão devidamente registrada.
Uma das maiores fontes de aprendizado da banda, o grupo Os Favoritos da Catira, que nessa convivência desde 2002 formou fortes laços com o Matuto Moderno, tinha que ter sua hora em “Forte Abraço” , de “seu Oliveira” e seus agregados, trazendo a catira com guitarras distorcidas, uma das marcas registradas da banda.
Parceria de peso de Raul Torres e Carreirinho “Peito Sadio” contou com a segunda voz do Carreiro fechando o CD.
Mais sobre o Matuto Moderno
Depois de 1999 a música de viola nunca seria a mesma, nascia o Matuto Moderno. Ritmos caipiras como o cururu, pagode de viola e recortado nunca haviam tido um flerte tão intenso com o rock, Tião Carreiro nunca havia se encontrado com Jimi Hendrix.
perto de seu aniversário de 10 anos o Matuto Moderno lançou três CD’s, pisou em alguns dos mais nobres palcos do Brasil e participou dos mais representantes eventos de viola caipira, quebrando preconceitos e levando muitos jovens a conhecer a música raiz, até então era considerada coisa de velho.
Mesmo incorporando elementos elétricos e eletrônicos a banda sempre teve um contato amplo com a cultura popular e os artistas da música raiz. Já no primeiro CD Bojo Elétrico de 2000 gravou Rio de lágrimas de Tião Carreiro, Lourival dos Santos e Pirací, e De papo pro á de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano, Em 2001 participou de programas como o Viola Minha Viola e o Musikaos, ambos da TV Cultura SP, mostrando que a banda pode tanto soar raiz quanto rock.
Em seu segundo trabalho, Festeiro - 2002 - gravou com a Cia. de Santos Reis de Altinópolis e Santo Antônio da Alegria. A influência do congado ficou mais forte, assim como a da catira, com a participação do grupo Catira Brasil de Rio Claro. Neste CD há também interessantes releituras de Vide Vida Marvada de Rolando Boldrin e Minha Viola de Zé do Rancho (avô de Sandy & Junior). Pena Branca e Pereira da Viola também participaram. Ricardo Vignini, violeiro e compositor do grupo foi curador do projeto Mostra da música tradicional de São Paulo pelo CCBB-SP, onde aconteceram dezenas de apresentações de grupos de Folia de Reis, Catira, Congado, Dança de Santa Cruz e Orquestras de viola de todo o estado de São Paulo. Inicia-se a parceria com a Brasil Festeiro.
Depois disso a banda se firmou no mercado criando um circuito até então inexistente. Tocou em todas as unidades do Centro Cultural do Banco do Brasil, teve a série Viola Turbinada, premiada pela revista Bravo como um dos principais projetos do Brasil em oito anos, participou de todas as edições do festival Caipira Groove, e o grupo Os Favoritos da Catira integraram o grupo.
Em 2003 lançou duas faixas novas na coletânea Moda Nova. Ricardo Vignini e Marcelo Berzotti produziram o CD Música raiz, Catira e Folia de Reis, com Oliveira e Olivaldo e Os Favoritos da Catira e Os Mensageiros de Santos Reis, nascia assim o selo Folguedo, que lançou também os CDs Solos de Viola Caipira por Índio Cachoeira vol 1 e vol 2 e Convite de Violeiro com Índio Cachoeira e Cuitelinho.
2004: shows importantes pelas unidades do SESC, O Festival de Inverno em Alto Paraíso/Goiás, Estação Viola pelo Metrô de São Paulo e o Festival do Saci em Botucatu. A banda ganha o respeito dos principais violeiros do Brasil dividindo o mesmo palco de Almir Sater, Paulo Freire, Ivan Vilela e Pereira da Viola, entre tantos outros.
Em 2005 é lançado o Razão da Raça Rústica, CD totalmente autoral produzido pela banda recebendo boas críticas da mídia em geral, seguido por vários shows durante o ano de 2006.
2007 deixou sua marca com a participação no projeto Viola Bem Temperada, no Auditório Ibirapuera. Neste ano Ricardo Vignini foi curador do projeto O Brasil Caboclo de Cornélio Pires, com as mais importantes duplas em atividade do Brasil, onde Vignini e Berzotti tiveram a chance de conviver com os grandes mestres da música raiz. Marcelo Berzotti acompanhou os últimos shows da dupla Carreiro e Carreirinho. Acompanhou também Índio Cachoeira e Cuitelinho, e Oliveira e Olivaldo.
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Fique a vontade pra ouvir todas as canções do meu terceiro CD: Ebulição de Idéias, ver os vídeos de shows e tudo que quiser, ta bom?!
O CD tem a participação do Zé Geraldo na música (S.O.S) e tem também uma canção em homenagem ao Maluco Beleza, Raul Seixas (Um Canto Para Raul), Além da música "Essência Oculta" que foi trilha Sonora de um filme(TV Cultura) do Grande Cineasta Hermano Penna.
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Salve os Matutos mais que mudernos!! Viva!! Eu continuo fã de carteirinha dessa swingueira toda de vocês, Parabens compadres!! Muita luz nesse caminho lindo. Abraço daqui das Minas Gerais!