“Senhores passageiros, pedimos a gentileza de afivelar seus cintos de segurança porque a aeronave atravessa uma zona de turbulência...” Não, peraí, que mané avião o quê! Apaga tudo porque a viagem é de ônibus mesmo e o texto é outro. Algo tipo assim: “aí, cumpadi, se segura firme no banco que o piloto vai dar um freio de arrumação e quem estiver em pé vai voar!” Bom, agora que o aviso foi dado, o distinto passageiro/ouvinte pode entrar com segurança em 7 Vezes, o novo disco d’O Rappa.
Cinco anos depois de O Silêncio Q Precede o Esporro, a banda carioca vem com um disco de inéditas que é o esporro em si. Mas quem está acostumado ao tranco do som e da mensagem que Falcão, Marcelo Lobato, Xandão e Lauro vêm mandando dia após dia na estrada entenderá bem o que está sendo dito aqui. Porque 7 Vezes, o sétimo álbum de uma trajetória iniciada há 16 anos, é puro Rappa. O groove forte, que revela várias camadas sonoras, embala relatos vindos daquele lado de lá que fica bem do lado de cá: Bronx, Brixton, Baixada, Alagados, Trenchtown, Favela da Maré... O trajeto pode ser diferente, mas o destino é sempre o mesmo.
A capacidade de pegar temas pesados do cotidiano de pessoas para quem nada é leve e transformá-los em canções repletas de força, esperança, beleza, balanço e espiritualidade sempre foi um dos grandes talentos do coletivo O Rappa. A novidade aqui nas 14 faixas de 7 Vezes é a abordagem que vai além do jornalismo. É o hiper-real. O surreal. O nonsense de um Frank Zappa com sol na moleira. A psicodelia possível no trem da Central, misturando numa mesma narrativa os sete pecados e os sete elementos da alquimia. Um filme além do Cidade de Deus, além do Tropa de Elite, com imagens de um Rio de Janeiro que se decompõe e se dissolve em plena luz do dia em milhares de cores, sabores e desgraças.
É por aí que O Rappa transita no novo disco, em letras cujos protagonistas não são heróis, nem anti-heróis – são personagens à beira da falta de moral, que não aguardam qualquer tipo de redenção. É a vida como ela é. Como em “Meu Santo Tá Cansado” (“armei umas e outras, tomei, dei volta / como o drible sem objetivo / que se perde além da linha lateral”). Ou no reggaezão “Meu Mundo é o Barro” (“sou quase um cara / não tenho cor nem padrinho”). E muito também em “Verdade de Feirante” (“minha vida é sem graça, quase cópia / produtor-camelô de birosca / CD pirata no mundo igualzinho”) e ainda no “Documento” (“carta fora do tempo / Nada de documento / se era bom ou ruim / tava aquém de mim”). É tudo verdade.
Algumas vezes, porém, não tem nem qualquer explicação, ou mesmo dica. Como na letra do candidato a hit de 7 Vezes, “Em Busca do Porrão”. A busca do porrão não tem fim nem finalidade, dizem eles. Mas o que é o porrão? Somente uma palavra sonora? Um estado de espírito. Ou o que quer que você queira? Som na caixa e as imagens vão falando por si mesmas. Mesmo caso em “Óstia”, música que nasceu de observações em uma tarde quente no submundo das ruas que circundam a Praça XI – os cortiços, o ar parado, um pratinho com carne assada, viciados em crack... E toda uma história para contar. O mesmo acontece em “Fininho da Vida”, relato de pessoas em trincheiras-barracos, cercadas por valões entupidos de esgoto e de garrafas pet, que vão “ruminando em silêncio / engolindo sapo da vida”. Já em “Vários Holofotes”, a beleza da melodia não ameniza outra imagem cortante como farpa: “o sol deixou de ser paisagem / e passou a queimar a gente”.
Sim, a virulência política é uma constante em 7 Vezes. A começar pela primeira faixa de trabalho, “Monstro Invisível”. Sobre o dubzão – com o perdão do trocadilho – monstruoso, colorido por ecos de Jorge Ben, eles avisam: “ouça o lado sujo, cria do descaso / alimentando folhas em preto e branco / outra epidemia”. E seguindo a política de recriar músicas que façam parte do universo Rappa, eles levam para a Jamaica a “Súplica Cearense”, de Gordurinha e Nelinho (“desculpe pedir a toda hora pra chegar o inverno / e agora o inferno queima o meu humilde Ceará”). Depois de Bezerra da Silva, Jorge Ben, Zeca Pagodinho e Chico Buarque, chega a vez de um clássico na voz e na sanfona de Luiz Gonzaga entrar para a galeria de músicas da banda carioca.
Ah, e se tem uma coisa que não falta em 7 Vezes é música. Para chegar às 14 faixas que o distinto ouvinte agora aprecia, os integrantes d’O Rappa prepararam mais de 100 bases, tocadas exaustivamente desde agosto do ano passado no estúdio Jimo, de Lobato. Uma vez que as canções ficaram prontas, o processo do CD (gravado no estúdio AR) foi absolutamente orgânico – ou seja, cada nota que se ouve lá foi tocada, sem recurso a loops ou quaisquer mágicas do ProTools. Foi um disco feito como nos tempos de Bob Marley, Led Zeppelin e Clara Nunes. Em primeiro plano, ficou a força da banda: Lobato debulhando uma bateria de poucas peças, Lauro buscando o groove perfeito de seu baixo melódico, Xandão pirando com os pedais de sua guitarra (que foi gravada em seu próprio estúdio, o Caroçu, em Curitiba) e Falcão caprichando nos raggas, como em nenhum outro disco d’O Rappa.
A experimentação foi regra até a hora da mixagem de 7 Vezes. Não bastava ter um som bonito: ele também tinha que ser diferente. Estranho, por vezes. E até escroto, se fosse o caso. Afinal, que graça teria um disco d’O Rappa se não fosse para tirar o sujeito da cadeira? Quem lembra do arsenal de instrumentos inusitados que a banda reuniu em seu disco anterior, o Acústico MTV, verá – e ouvirá – que a pesquisa não só continuou como deu frutos no novo disco. Piano de brinquedo, vibrafone, steel drums, marmita, balde d’água com garrafas, violoncelo, cravos, instrumentos indianos... Tudo isso achou achou seu lugar, junto com as intervenções cada vez mais musicais do DJ Negralha e as percussões de Klebinho e Bernardo.
Os resultados dessa busca por uma sonoridade nova podem ser conferidos de cima a baixo em 7 Vezes. Mas em especial no encontro de bateria de escola de samba com guitarra de trilha de western spaghetti em “Maria” e no batidão com cornetas de “Respeito pela Mais Bela”, faixas que têm tudo para ganhar as rádios e os corações. No controle desse laboratório de sons e polirritmias, dessa vez O Rappa contou com o auxílio de Ricardo Vidal (técnico de P.A. da banda há 12 anos, que caprichou nos ecos dos dubs) e o guitarrista Tom Sabóia, que também cuidou das gravações das guitarras em Curitiba. Eles conduziram O Rappa das jams no Jimo até a concretização desse disco, que é para ser ouvido sete, oito, nove, dez... quantas vezes for necessário!
Silvio Essinger, Julho de 2008
Release CD 7 Vezes
“Dear passengers, please hold your seat belts because we are passing through a turbulence zone...” No, ops, this is not an airplane! Forget about it because our trip will be done by bus and the text is another one. Something like that: “hey dude, hold on your seat ‘cause the driver will suddenly break and anyone stand will gonna fly!” Well, now that the warning is done, distinct passenger/listener is able to enter reliably in 7 Vezes, the new O Rappa’s album.
Five years after O Silêncio Q Precede o Esporro (The Silence which precedes the Quarrel) , the band from Rio de Janeiro delivers an original album, which is a quarrel itself. But, who is used to the punch and the message delivered daily by Falcão, Marcelo Lobato, Xandão and Lauro on the road, will really understand what we are saying. Because 7 Vezes (7 Times), the seventh album in this 16 years old trajectory, is pure Rappa. The strong groove, revealing several sonic layers, loading stories from the other side which fit perfectly here: Bronx, Brixton, Baixada, Alagados, Trench town, Favela da Maré… The route can be different, but the final destination is always the same.
The ability to transform hard everyday matters, from people who face a tough time, in songs full of strength, hope, beauty, balance and spirituality, it was always one of the most important talents of the group. The novelty in the 14 tracks of 7 Vezes, is their approach, which goes far beyond journalism. It is hyper real. Surreal. Frank Zappa’s nonsense warmed by the sun. A possible psychodelia on Central’s train, blending in a common narrative the seven sins and the seven alchemic elements. A movie beyond Cidade de Deus (City of God), beyond Tropa de Elite (The Elite Squad), with shots of a Rio de Janeiro falling apart and melting in daylight, in thousands of colors, flavors and calamities.
That’s the path O Rappa is going through in the new album, with lyrics where main characters are not heroes, nor anti-heroes – they are characters who are about to cross moral borders and do not expect any kind of redemption. It is just life as it is. As in “Meu Santo Tá Cansado” (“My Saint is Tired”) - (“armei umas e outras, tomei, dei volta / como o drible sem objetivo / que se perde além da linha lateral” // “I set up several things, took, I cheat / like a tricking without meaning / lost beyond touch-line). Or on the big reggae “Meu Mundo é o Barro” (“My World is Mud”) - (“sou quase um cara / não tenho cor nem padrinho” // “I’m almost a guy / have no color nor godfather”). And also a lot in “Verdade de Feirante” (“Marketer’s Truth”) - (“minha vida é sem graça, quase cópia / produtor-camelô de birosca / CD pirata no mundo igualzinho” // “my life is barren, almost a copy / product of the street market / a false CD, the same in the world”) and still in “Documento” (“Document”) - (“carta fora do tempo / Nada de documento / se era bom ou ruim / tava aquém de mim” // “a letter out of time / No document / if it was good or bad / it was below me”). It is all truth.
However, sometimes there is no explanation, not even a clue. As in the lyrics of “Em Busca do Porrão” (“Searching for Porrão”), a possible hit. According to them, the search for porrão has no meaning. But, what is porrão? Is just a sonorous word? A mood. Or anything you want to be? Listen the sound and let images speak on their behalf. Same happens in “Óstia”, a song which came from notes in a hot afternoon at the underworld of Praça XI’s surroundings - tenement-houses, arid air, little plate with roast meat, crack addicteds…. And a whole story to tell. That is the same in “Fininho da Vida” (“Very sly with Life”), a report of people in trench-shanties, surrounded by big dikes blocked up by sewerages and pet bottles, which go “ruminando em silêncio / engolindo sapo da vida” (“musing in silence / swallowing insults in life”). On the hand, in “Vários Holofotes” (“Several Spotlights”), the beautiful melody does not smooth another strong image: “o sol deixou de ser paisagem / e passou a queimar a gente” (“the sun is not a landscape anymore / now is burning people”).
Yes, political virulence is invariable in 7 Vezes. It starts on the first single, “Monstro Invisível” (“Invisible Monster”). On the big monstrous dub – sorry for the joke -, painted by Jorge Ben’s echoes, they warn: “ouça o lado sujo, cria do descaso / alimentando folhas em preto e branco / outra epidemia” (“listen the dirty side, born from negligence / feeding leaves in black and white / another epidemic”). And, following the tendency of reinvent music which is part of Rappa’s universe, they bring to Jamaica “Súplica Cearense” (“Cearense Beg”), by Gordurinha and Nelinho (“desculpe pedir a toda hora pra chegar o inverno / e agora o inferno queima o meu humilde Ceará” // “sorry if we are continuing ask for winter / and now hell burns my humble Ceará” ). Further to Bezerra da Silva, Jorge Ben, Zeca Pagodinho and Chico Buarque, is now the turn of Luiz Gonzaga’s voice and accordion to enter into the carioca’s band music gallery.
Well, and if is something is not missing in 7 Vezes, it is music. To finally get to the 14 tracks enjoyable now by the listener, O Rappa’s members have prepared more than 100 bases, played exhaustively since august 2007 at Lobato’s Jimo studio. Once the songs are ready, CD process (recorded at AR Studio) was totally organic – that means, each note listened was actually played without any loop trick or any other ProTools magic work. It is an album recorded as in Bob Marley, Led Zeppelin and Clara Nunes’ times. It is really the bands energy: Lobato playing a minimalist drum set, Lauro searching for a perfect groove in his melodic bass, Xandão going crazy with his guitar’s pedals (it was recorded in his own studio, Caroçu, in Curitiba – south of Brazil) and Falcão elaborating raggas, like in any other O Rappa’s album.
Experimentation was the rule up to the mixing of 7 Vezes. It was not enough to have a great sound: it must also be different. Weird, sometimes. And even dirt, if it was necessary. After all, there was no point to have a Rappa’s album if it wouldn’t take people out of the chair, isn’t it? Every one who remembers the whole arsenal of unusual instruments the band reunited in their previous album, Acústico MTV, will realize – and listen – that research not only have continued: it fructified in the new record. Toy piano, vibraphone, steel drums, lunch box, a pail full of water and bottles, cello, harpsichords, Indian instruments… all of them found a place together with DJ Negralha’s interventions, each time more musical by the way, and Klebinho and Bernardo’s percussions.
The result of this search for a fresh sonority can be checked through entire 7 Vezes. But mainly in the meeting between a Samba school set of percussion and the western spaghetti guitar of “Maria” and in the horns beat of “Respeito pela Mais Bela” (“Respect to the Most Beautiful”), both serious candidates to top radio airplays and fan’s hearts. To control this laboratory of sounds and rhythms, O Rappa brought the help of Ricardo Vidal (PA engineer, who works with the band for the last 12 years and who elaborate carefully all echoes and dubs) and guitarist Tom Sabóia, who also helmed guitar sessions in Curitiba. They drove O Rappa all the way from the jam sessions at Jimo, until finalizing this album which has to be listened seven, eight, nine, ten… how many times you need to!
O Rappa nasceu para ser notícia. Afinal, o grupo carioca, um dos mais importantes da sua geração, veio ao mundo através de anúncio publicado nas páginas de um jornal, no distante ano de 1993. Nele, o baixista Nelson Meirelles, o baterista Marcelo Yuka, o tecladista Marcelo Lobato e o guitarrista Alexandre Meneses (Xandão) procuravam uma voz para que o seu projeto de grupo – ainda sem nome – ganhasse vida. Muita gente respondeu ao chamado, mas só um candidato, justo o último a ser testado, conseguiu o posto: Marcelo Falcão.Com uma voz que ora parecia ter o suingue de um Jorge Ben, ora parecia ter a agressividade de um MC jamaicano, ele conquistou o posto.
Depois de algumas apresentações explosivas pelo Rio de Janeiro, o Rappa foi contratado pela gravadora Warner. A idéia era manter intacta a sua singular mistura de sabores: dub reggae, rap, rock e até toques de samba caem bem em seu caldeirão musical. E assim foi. Produzido em parte pela própria banda e mixado pelo mestre do dub, Dennis Bovell, em Londres, O Rappa, de 1994, trouxe temas inesquecíveis como “Todo Camburão Tem um Pouco de Navio Negreiro” (na qual já ficava visível a força das letras de cunho social de Yuka) e também uma regravação de “Candidato Caô Caô”, do saudoso sambista underground Bezerra da Silva.
Um pouco depois do lançamento do disco, Nelson Meirelles saiu da banda, sendo substituído pelo baixista Lauro Farias, que tocava com a banda Negril, da Baixada Fluminense. Mas a mistura não desandou. Produzido pelo veterano Liminha, o segundo disco, Rappa Mundi (1996), manteve o Rappa em forma e deu ao grupo o já esperado retorno comercial. “Miséria S.A.”, “Pescador de Ilusões” e “A Feira” explodiram em shows e nas rádios, fazendo a banda sair definitivamente do circuito alternativo e cair nas graças do mainstream, sem ter que modificar sua essência no trajeto. Como o anterior, o disco trazia sua porção de covers subversivos: no caso, “Hey Joe” (que fazia Hendrix parecer um compositor de samba) e “Vapor Barato” (de Waly Salomão e Jards Macalé, um clássico do tropicalismo).
Mas foi o terceiro disco, Lado B Lado A (1999), que realmente consagrou O Rappa como uma das mais importantes bandas do Brasil. Produzido por Chico Neves e Bill Laswell, mixado nos estúdios Real World, de Peter Gabriel, o disco mostrava a banda no apogeu, dominando seu som e suas letras, sendo ao mesmo tempo militante e poética, agressiva e musical. Isso era bem exemplificado em músicas como “Tribunal de Rua” e, principalmente, “Minha Alma (A Paz que Eu Não Quero)”. Nos shows, o Rappa parecia dizer tudo o que a juventude brasileira tinha presa na garganta (“as grades do condomínio são para trazer proteção / Mas também trazem a dúvida se não é você que está nessa prisão”).
Logo após o lançamento do álbum, o grupo sofreu um forte abalo: atingido por um tiro ao presenciar um assalto no Rio, Yuka ficou paralítico. Mesmo preso a uma cadeira de rodas, ele marcou presença no disco Instinto Coletivo, gravado ao vivo e que incluía cinco músicas inéditas. Entre elas, “Ninguém Regula a América”, cuja letra criticava a postura reacionária do governo de George W. Bush, mesmo antes do 11 de setembro. O disco, produzido por Tom Capone, trazia as participações do Sepultura e do grupo inglês Asian Dub Foundation.
Disposto a seguir um trabalho solo, Yuka saiu da banda. Para o seu lugar, foi deslocado Marcelo Lobato, que trocou os teclados pela bateria. A música do grupo permaneceu intacta e ficou até fortalecida. Prova disso é o quinto disco da banda, O Silêncio Q Precede o Esporro, lançado em 2003. Nele, a banda flertava com a bossa nova em “Linha Vermelha”, mas era uma bossa nova mesmo, politizada e rascante. Produzido novamente por Tom Capone, O Silêncio Q Precede o Esporro teve as participações especiais da rapper argentina Malena D'Alessio e do supremo sambista Zeca Pagodinho. O CD conquistou um Disco de Ouro logo depois de chegar às lojas. O CD foi seguido por um DVD, homônimo, também sucesso de crítica e vendas, que alcançou Disco de Diamante na cola de sucessos como “Reza Vela”, “O Salto” e “Papo de Surdo e Mudo”.
Fortalecido pelo reconhecimento nos palcos (dos quais praticamente não saiu), O Rappa entrou 2005 com mais um projeto: o CD e DVD Acústico MTV, no qual reinventou alguns de seus hits e lados B com instrumentos inusitados, somados às inéditas “Na Frente do Reto” e “Não Perca as Crianças de Vista”. Com participações da cantora Maria Rita e do rabequeiro Siba, do grupo Mestre Ambrósio, o Acústico deu à banda mais motivos de orgulho ainda: atingiu as marcas de CD de Platina e DVD de Diamante e rendeu uma das mais vitoriosas turnês de sua história. Nos intervalos dos shows, em encontros no estúdio Jimo, de Lobato, as experimentações d’O Rappa continuaram. E, em 2008, o resultado veio à luz: 7 Vezes, seu sétimo álbum, debutou nas rádios com a faixa “Monstro Invisível”.
Por sua coerência musical e postura engajada, O Rappa permanece sendo uma das mais influentes e respeitadas bandas da moderna música brasileira. Seus integrantes têm lutado contra a desigualdade social, atuando em diversas frentes, seja no financiamento de projetos que estimulem a inclusão de jovens colocados à margem da sociedade ou no recrutamento de atores de comunidades carentes para participar de seus clipes. Afinal, o Rappa nasceu para ser notícia. Uma boa notícia!
Biography O Rappa
O Rappa was born to be news. After all, the band from Rio de Janeiro, one of the most important of their generation, was born as from a newspaper advertisement, in the distant year of 1993. Over there, bassist Nelson Meirelles, drummer Marcelo Yuka, keyboard Marcelo Lobato and guitarist Alexandre Meneses (Xandão) were looking for a voice to bring life to their project – still nameless. Many candidates appear, but only one, the last one for instance, got the job: Marcelo Falcão. He conquers the place with a voice which has sometimes Jorge Ben’s swing and sometimes a Jamaican MC’s aggressiveness.
After some explosive presentations in Rio de Janeiro, O Rappa signed with Warner Brazil. The idea was to keep untouched their unique mixture of flavors: dub reggae, rap, rock and even some touches of samba fits perfectly into their musical caldron. And it was so. Produced in part by the band and mixed by the dub’s master Dennis Bovell, in London, 1994 O Rappa brought unforgettable tunes like “Todo Camburão Tem um Pouco de Navio Negreiro” (“Every police car Has Something of Slave Ship”) (where is already remarkable the strength of Yuka’s social lyrics) and also a re recording of “Candidato Caô Caô” (“Liar Liar Candidate”), from late underground samba writer Bezerra da Silva.
Not so long after the album release, Nelson Meirelles left the band and was replaced by former Negril (a band from Baixada Fluminense) bassist Lauro Farias. But the blend didn’t draw back. Produced by veteran Liminha, the second album, Rappa Mundi (1996), kept O Rappa in shape and gave the already expected commercial reward. “Miséria S.A.” (“Penury S.A.”), “Pescador de Ilusões” (“Illusion Fisherman”) and “A Feira” (“The Open Market”) exploded in live shows and radios, taking the band from underground circuit to the mainstream without giving up their essence. Just as its predecessor, the album brought its own portion of subversive covers: for instance, “Hey Joe” (making Hendrix look like a samba composer) and “Vapor Barato” (by Waly Salomão and Jards Macalé, a standard of Brazilian Tropicalism).
But it was the third album, Lado B Lado A (1999) who really made O Rappa be acclaimed as one of the most important Brazilian bands. Produced by Chico Neves and Bill Laswell, mixed at Peter Gabriel’s Real World Studios, the album exhibited a band in its peak, owner of his own sound and lyrics, being at the same time, political and poetical, aggressive and musical. And it was showed by songs like “Tribunal de Rua” (“Street Court”) and, mainly, “Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)” (“My Soul (The Peace I Don’t Want)”). In live shows, O Rappa seemed to say everything the Brazilian youth had stuck in the throat (“as grades do condomínio são para trazer proteção / Mas também trazem dúvida se não é você que está nessa prisão” / “condominium barriers are made for protection / But they also bring the doubt where you are the one in prison”).
Right after album release, the band suffered a terrible shock: hit by a shot gun during a holdup in Rio de Janeiro, Yuka became paralytic. Even stock at a wheelchair, he marked his presence in the album Instinto Coletivo, recorded live and featuring five original songs. Among new tracks, “Ninguém Regula a América” (“Nobody rules America”), with lyrics criticizing conservative politics of George W.Bush government even before September 11th. The album, produced by Tom Capone, also featured guests’ appearances of Sepultura and the British band Asian Dub Foundation.
Decided to pursue a solo career, Yuka left the band. And than, Marcelo Lobato was relocated from keyboards to drums. The band’s sound remained intact, even stronger. The proof is the fifth album released in 2003, O Silêncio Q Precede o Esporro (The Silence which precedes the Quarrel). There, the band had a little date with Bossa Nova in “Linha Vermelha” (“Red Line”), but it was real bossa nova, political and dry. Once again produced by Tom Capone, O Silêncio Q Precede o Esporro featured special appearances like the Argentinean rapper Malena D’Alessio and the super samba act Zeca Pagodinho. The album went Gold as soon as reached stores. It was followed by a DVD with the same title, also a big success in both sales and critics. It went Diamond due to hits like “Reza Vela” (“Pray Candle”), “O Salto” (“The Jump”) and “Papo de Surdo e Mudo” (“Chat between Deaf-Mute”).
Stronger due to recognition on stage (they almost didn’t get out of it), O Rappa started 2005 with a new project: CD/DVD Acústico MTV, where they reinvented some of their hits and several B sides with unusual instruments, together with the originals “Na Frente do Reto” (“In Front of the Straight”) and “Não Perca as Crianças de Vista” (“Don’t Loose the Children”). With special guests like Brazilian singer Maria Rita and fiddler Siba, from Mestre Ambrósio band, Acústico made the band even more proud: the CD went Platinum and the DVD, Diamond, and in addition, let the band to one of the most impressive tour of their career. During the breaks between gigs, O Rappa kept meeting at Lobato’s Jimo Studio, to experiment. And, in 2008, the result of these experiments is being delivered through 7 Vezes, the seventh album, which debuted on radio with the single “Monstro Invisível” (“Invisible Monster”).
Due to their musical consistency and political attitude, O Rappa remains as one of the most influential and respected bands of the current Brazilian musical scenario. Their members keep fighting against social differences, working in different fronts, sometimes sponsoring projects for inclusion of young people who lives aside society, sometimes recruiting young actors from poor communities to work on their video clips. After all, O Rappa was born to be news. Good news!