Depois de 2 anos de ensaio de um futuro, Os Golpes são paridos em 2008. Eles existem num país que se encanta com as suas possibilidades. O primeiro disco é gravado pela Companhia Amor Fúria.
^ Fotografia de João Coração
Provavelmente tão inesperado como ver Truffaut num filme americano sobre extra-terrestres ("Close Encounters of The Third Kind", em 1977) é ver a banda de rock mais portuguesa de Portugal a escolher o seu nome a partir de um filme francês de Truffaut. À razão de 100 golpes por cada um dos rapazes do grupo, nasceram em 2006 "Os 400 Golpes".
E se uma vez 300 aguentaram nas Termópilas, "400" não subsistiu à designação final. Mais certeiros, mais certeiros, mais certeiros, renascem em 2008 "Os Golpes", só "Os Golpes". E renascem não como a Fénix, mas como a passarola de Bartolomeu de Gusmão, numa versão alongada com cerca de 10 milhões de lugares sentados. O timoneiro Manuel Fúria dos Golpes tem voz de comando e guitarra por leme; o Luís dos Golpes tem um baixo preciso como um astrolábio; o Pedro Rosa dos Golpes, rosa-dos-ventos, ora dedilha outra guitarra, ora sobe ao cesto de gávea para segundas vozes subidas; o Nuno dos Golpes (e da bateria) segura o quadrante, acerta o ritmo, segura o quarteto.
Não me enganei quando lhes atribuí o título de qualquer coisa mais portuguesa de Portugal: "Os Golpes" são uma espécie de aldeia de xisto onde não faltam arranha-céus. Sabem de cor os engarrafamentos na hora de ponta e o passo arrastado do velho pároco nas procissões da vila. Comem faisão em porcelana e sardinha (da piscicultura do Padre António Vieira) em broa. E para isso do rock não ser coisa portuguesa, os senhores contra-argumentam de caravelas na ponta da língua: as especiarias, a globalização antes de ser um bicho de sete cabeças, os "Obrigado" toscos que os japoneses ainda dizem.
A 2009 pertencerá o primeiro disco d'Os Golpes (ou vice-versa). O cunho da produção será do mestre Jorge Cruz e no sinete da editora ler-se-á "Amor Fúria". Daquilo que nos é lícito esperar, a "Marcha dos Golpes" é uma eufórica promessa. Certeira, certeira, certeira. Esta primeira cantiga que verteu para a internet é o perfeito "Abre-te Sésamo" lançado às pálpebras de qualquer melómano que esteja comatoso desde há 25 anos. O fervilhar do rock português de tempos idos está lá todo. Mas desenganem-se os profetas da desgraça, do terrorismo-revivalismo, do rebanho de antanho: Os Golpes não são do passado. A grande ironia geográfica deste país hipnotiza-nos com a sua cauda. Os Golpes estão noutra ponta: a garraiar os cornos do porvir.
Com a Amor Fúria, Os Golpes apresentam o seu primeiro Tele-Disco. A partir de uma ideia da banda, com a realização do Tiago Cravidão e ajuda de uma equipa que seguirá nos créditos em baixo, mostramos aquela que é a nossa primeira aventura televisionada. Nada disto seria possível sem a boa vontade da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Alter do Chão, do Tenente Manuel Henriques e do David Taínha, em relação aos quais a Amor Fúria e os Golpes estão profundamente agradecidos.
eheh, de nada :) Aqui os artistas sao voçes e nao nos, que somos apenas o destino dessas (fantasticas) obras :) Ouvi dizer q o vosso concerto com eles foi demais. Se tudo correr bem agr em Dezembro estou la batida !
hmmm estou a remoer por não vos ver a abrir para o Patrick Watson grrrrrrr!!! Sr Baterista, olá : ) espero que na Fnac de Cascais te tratem melhor, no Chiado foste desprezado.... : )
Foi? Então porque? Ainda não agradeci o bocadinho de ontem porque nao tive oportunidade de juntar todo o grupo para o fazer, mas amanha receberão noticias nossas com toda a certeza :) Não se preocupem que eu trato de enviar tudo para voces e mais uma vez obrigado. Quando voltam a estar por aqui perto? nem tive a oportunidade de dizer que gostei bastante do concerto, beijo.
Sr Baterista, não me esqueci da nossa conversa no Musicbox... Acho que prefiro ver-vos no Alquimista do que na apenhadíssima Fnac do Cascaishopping embora seja em plena minha terra. Boa sorte para o Super Bock em Stock, não posso ir :(