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Pedra Lispe é a pedra que vem na ponta do raio. O que se conta é que todo raio quando cai, traz na ponta uma pedra prateada que é enterrada a sete palmos de profundidade; também chamada de OTÀ no candomblé, representa o corpo de Xangô e Yansã. Pedra Lispe é também o nome que o personagem Quaderna deu a seu cavalo no “Romance d’A Pedra do Reino”, de Ariano Suassuna. Pedra Lispe é um grupo musical cujas referências passeiam pelo imaginário popular brasileiro e pela musica erudita contemporânea.
A proposta é levar ao público um repertório no qual elementos associados às tradições populares e elementos ligados à música de concerto coexistam e se somem. Deste modo, composições feitas especialmente para o Pedra Lispe são executadas ao lado de adaptações e arranjos de Villa-Lobos, Guerra-Peixe, Antônio José Madureira e Capiba, para citar apenas alguns dentre vários compositores consagrados cuja produção musical nos faz refletir a respeito dos limites entre música popular e erudita.
A instrumentação expressa com bastante clareza a proposta: aos instrumentos de percussão incorporados das diversas tradições brasileiras, vêm se juntar o violoncelo e a flauta. O violoncelo é em geral associado à música de concerto, mas, dependendo do contexto, pode expressar o aboio grave dos cangaceiros, como uma grande rabeca. A flauta, por sua vez, por mais que integre qualquer orquestra sinfônica, participa de quase toda nossa música popular; desde os conjuntos de choro até as bandas de pífanos. Fechando a formação, um trio de cordas composto pelo bandolim, o mais chorão dos instrumentos; pela viola caipira, que participa da música rural de quase todas as regiões do país e, por último, o ambivalente violão: concertista, vagabundo, chorão, bossanovista e o que mais for.
In english:
According to a Northeastern Brazilian myth, Pedra Lispe is the stone that comes to earth on the tip of the thunderbolt’s lightning. It is said that every lightning strike creates a silver coloured stone which is buried seven feet under the ground. Pedra Lispe is also the name of the horse of the main character in a very famous Brazilian folkloric romance novel written by the Northeastern writer Ariano Suassuna. Thus, Pedra Lispe was chosen as the name of a Brazilian musical ensemble influenced by the so-called “popular culture”, concert music and instrumental music in general, in a soundscape where traditional, folkloric and contemporary music blend together.
Pedra Lispe’s artistic purpose is to perform transcriptions and arrangements of great Brazilian composers such as Villa-Lobos and Capiba, as well as original repertoire composed especially for this ensemble. Its instrumentation suits clearly this purpose: percussion instruments incorporated from various Brazilian musical traditions are joined by a cello and a flute. The cello, usually associated with concert music, may cry out aboios, typical cattle calls of Northeastern Brazil, or become an oversized rabeca, the Brazilian Northeastern version of the fiddle. The flute, well-established as it may be as a part of the symphony orchestra, belongs practically everywhere in Brazilian popular music, from choro ensembles to bandas de pífano (fife bands).
To complete the formation, a trio of plucked strings: a mandolin, the most characteristic of choro instruments; a 10-string Brazilian folk guitar, found in rural music all over the country and , of course, the do-it-all guitar, concert soloist, bohemian, choro and bossa nova player, you name it.
The ensemble’s purpose also aims to blur the labels that separate popular and concert music, urban and rural, national and foreign, although always echoing the sounds from deep into Brazilian country.
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