TARA PERDIDA
1995-2008
Três
anos após a edição do muito bem sucedido «Lambe-Botas» e de um
dos períodos mais prolíferos da sua carreira no que toca a actividade
ao vivo, os Tara Perdida voltam finalmente à carga com um novo registo
de originais. «Nada a Esconder» é o quinto álbum assinado pelo quinteto
lisboeta, assinala a sua união à multinacional Universal Music e,
acima de tudo, reforça a ideia de que a banda continua a ser tão relevante
como quando se formou.
A
génese dos Tara Perdida remonta ao ano de 1995 – mais precisamente
ao dia 10 de Junho de 1995. Foi exactamente no Dia de Portugal, de Camões
e das Comunidades, que os músicos se juntaram pela primeira vez no
bairro de Alvalade – famoso por ter dado ao movimento punk rock português
bandas como os Peste & Sida e Censurados – para um primeiro ensaio.
De um lado, o baixista Cró e o vocalista/guitarrista João Ribas, ainda
a recuperar da súbita separação dos míticos Censurados mas cheios
de vontade de embarcar numa nova aventura musical. De outro, o guitarrista
Ruka e o baterista Orélio, à procura dos músicos certos para concretizarem
as ideias que já tinham desenvolvido em conjunto. Uma enorme paixão
pelo punk/hardcore e uma vontade incessante de tocar uniram os quatro
músicos, no lugar e na altura certas.
A 17 de Novembro do
mesmo ano, uns escassos cinco meses depois, a banda dá o seu primeiro
concerto no G. Dramático Ramiro José. A jogar em casa, as reacções
não se fizeram esperar e, desde essa primeira actuação ao vivo, nunca
mais voltaram a olhar para trás. Alternando a escrita de canções
com mais alguns espectáculos, os Tara Perdida assinam o primeiro contrato
discográfico no início de 1996, entrando em estúdio para a gravação
disco de estreia no mês de Abril. É precisamente nesta altura, já
com a banda em estúdio e a meio do processo de gravação, que se dá
a primeira alteração no seu seio – Cró decide abandonar o projecto
e é rapidamente substituido por Jaime. Antecedido por uma memorável
actuação no mítico festival Vilar de Mouros, «Tara Perdida» chega
aos escaparates em Novembro e é alvo de uma aceitação bastante calorosa
por parte do público.
Numa
altura em que o cenário rock nacional estava desesperadamente a precisar
de um valente abanão, a atitude contestatária e enérgica de temas
como «Isto Não Vai Melhorar», «Feia» ou «Até M'Embebedar» tiveram
precisamente o efeito que se pretendia e permitiram-lhes passar a primeira
parte do ano seguinte a tocar pelo país e a partilhar palcos com bandas
internacionais tão conhecidas como NOFX, Ratos de Porão e Exploited.
Sem perder muito tempo,
os quatro músicos voltam a entrar em estúdio e – entre Maio e Junho
de 1998 – registam o segundo álbum, interrompendo o processo de gravação
para actuar nos Coliseus de Lisboa e Porto como “banda de suporte”
dos norte-americanos The Offspring. «Só Não Vê Quem Não Quer»
é editado em Outubro de 1998 e o grupo parte novamente para a estrada,
onde se mantém estoicamente durante quase um ano – o ponto alto desta
digressão acaba por ser a primeira (e até à data única) aparição
dos Tara Perdida fora do país, com uma actuação no festival C’Rock
Note em França.
Face
à perspectiva de terem de embrenhar-se no processo de composição
do terceiro disco – que, no universo do rock é habitualmente visto
como aquele que pode fazer triunfar ou quebrar uma banda – os músicos
depararam-se subitamente com um impasse. Aparentemente esgotados pelo
rigoroso nível de actividade a que se tinham submetido até então,
decidiram abrandar por uns tempos e usaram essa pausa para repensar
a sua estratégia de ataque.
A solução para o
bloqueio criativo que estavam a atravessar na altura passou pela entrada
de Ganso para os Tara Perdida, em Novembro de 1999. Amigo de longa data
dos restantes elementos, apoiante da banda e excelente compositor, o
guitarrista acabou por revelar-se uma peça-chave durante os anos de
2000 e 2001 – que, embora com alguns concertos pelo meio, foram passados
basicamente a criar novos temas e a arranjar um sítio fixo para ensaiar.
Em Março 2001 Orélio deixa a banda, sendo substituido por Kistos.
Com
uma formação renovada – João Ribas na voz, Ruka e Ganso nas guitarras,
Jaime no baixo e Kistos na bateria – começam finalmente a gravar
o terceiro longa-duração em Fevereiro de 2002. As sessões de captação
dividem-se entre os estúdios MB (no Porto) e BEBOP (em Lisboa), dando
início a uma saudável colaboração com o produtor Cajó (conhecido
pela sua associação a nomes como Xutos & Pontapés ou Sérgio
Godinho). «É Assim» é editado em Junho de 2002 e, desde logo, aclamado
como o melhor registo dos Tara Perdida até então.
A sensibilidade melódica
de Ganso, a versatilidade rítmica de Kistos e uma atitude um pouco
mais descontraída ajudaram a alargar a base de seguidores do grupo
e transformaram canções como «Nasci Hoje», «Criar Soluções»,
«Desalinhado» e «30 Dias» em verdadeiros hinos. Com uma ainda maior
coesão em palco e com o carismático João Ribas mais liberto e à-vontade
na posição de frontman, os anos de 2003 e 2004 transformam-se
num dos períodos de maior actividade para banda no que toca a actuações
ao vivo. O ano de 2004 ficou marcado também pela inclusão de um inédito,
com o título «Não Vou Mentir», na colectânea «Rock n’ Riots»
e por mais um abalo no colectivo – Kistos abandona e Rodrigo ocupa
o lugar deixado atrás do kit de bateria.
2005 marca o décimo
aniversário dos Tara Perdida e a edição de um novo disco. Em Janeiro
desse ano o quinteto regressa aos estúdios MB e BEPOP, contando outra
vez com a produção de Cajó, para a gravação do sucessor de «É
Assim». A edição de «Lambe-Botas», em Abril, é assinalada com
três concertos de arromba – primeiro no Porto, depois em Lisboa e,
finalmente, em Faro. Aproximando-se à perfeição da fórmula explorada
do seu predecessor, o novo disco permitiu ao grupo voar ainda mais alto
e participar em eventos como o SBSR 2005 e, já no ano seguinte, Rock
In Rio Lisboa, Vans Club Tour e Jurassic Summer Fest.
2006 acabou por revelar-se
o ano mais produtivo de sempre para a banda, que deu cerca de 40 concertos
por todo o país e provou que – uma década depois de ter começado
a escrever os primeiros temas – estava no auge da sua forma. Ainda
antes do final do ano gravaram o seu primeiro DVD, perante uma Incrível
Almadense a rebentar pelas costuras. Numa altura em que a palavra “culto”
é facilmente confundida com a quantidade de ficheiros mp3 armazenados
no disco rígido de um computador ou de “amigos” numa conta de MySpace,
os Tara Perdida mostram que ainda é possível construir uma carreira
tendo como base a lealdade dos seus seguidores e a relação de proximidade
que mantêm com eles.
TARA PERDIDA 2008
João Ribas – voz
Ruka – guitarra/coros
Ganso – guitarra/coros
Jaime – baixo
Rodrigo – bateria
DISCOGRAFIA
Tara Perdida – 1996
Só Não Vê Quem Não
Quer – 1998
É Assim… – 2002
Lambe-Botas – 2005
Nada a Esconder - 2008