ARRIGO BARNABÉ:
MÚSICO OU POETA?
eu sou um inventor. acho que sou um inventor e um músico, mas o que eu me sinto mais mesmo é como inventor. um cara que inventa coisas.
A SEQUÊNCIA DAS VOGAIS
comecei a aprender a compor quando fui fazer cursinho, em 1970.
os professores explicavam o que era pintura e projetavam, p. ex., um quadro de picasso na lousa... eu me lembro que olhava e não entendia... mas isso começou a me dar noção de composição.
pouco depois, tive contacto com o trabalho de ezra pound, que foi muito importante para mim.
aquela observação dele, de que para se recuperar a arte de fazer poesia cantada é preciso prestar atenção na sequência das vogais no verso, foi decisiva para mim.
eu ficava me exercitando dentro disso.
minha formação básica é de música erudita.
o universo dentro do qual eu queria criar passou a existir em minha cabeça a partir da audição de bartók, stravinsky e outros.
foram eles que me levaram a fazer música.
CLARA CROCODILO: SOM E PALAVRA
eu me preocupo bastante em fazer com que a palavra saia fluente dentro da frase musical. fluente e natural. tenho um cuidado grande em não criar um negócio que fique parecendo "modernoso", "bizarro". quero fazer sempre uma coisa que tenha sentido exato.
que o canto tenha nexo, que seja adequado à melodia atonal que estou usando. além do que, certos temas exigem um determinado tipo de música.
em DIVERSÔES ELETRÕNICAS, p. ex., não daria para eu usar o gênero rock. o rock não transmitiria o significado das palavras, ficaria fraco, aguado.
muita gente, no brasil, faz letras agressivas, legais, mas uma música regressiva, que não acompanha o próprio pique da letra.
quando faço uma letra, fico muito atento ao som das palavras, como ELES soam.
o significado da palavra também importa, mas me preocupo demais em adequar o som da palavra ao som da música.
quando escolhi o nome CLARA CROCODILO lembro-me que tinha acabado de ler o poema AURA AMARA, do trovador provençal arnaut daniel (em tradução de augusto de campos), no livro ABC DA LITERATURA, de ezra pound, e estava com esse nome/som na cabeça. AURA AMARA.
reparei que é uma palavra econômica, só possui, na verdade, quatro letras, o A, o U, o R e o M e, eu queria um nome assim, mas que fosse, ao mesmo tempo também, a articulação de duas coisas opostas tipo, p. ex., PLUMAS E PEDRAS.
aí me veio essa palavra CLARA, que representa luz, justaposta a CROCODILO, que representa coisa escura. feminino/masculino.
CLARA dá a idéia de luz, enquanto CROCODILO dá a idéia de pântano, de "lá no fundo", de "debaixo d'água", de coisa escura.
e havia CLA, depois CRO, uma simples troca de letras: o CL e o CR formando combinações. e eu queria experimentar essa coisa de combinação do som das palavras, como se fossem notas musicais.
o R da palavra CLARA vai aparecer no CRO e, em seguida, vem o C de CO, que, antes, já havia aparecido junto a uma consoante e as únicas letras que não se repetem são o D e o I, de DI, pois, em seguida, vem o L de LO, que já estava na palavra CLARA, e a vogal O, contida em toda a palavra CROCODILO. isso tudo eu penso de modo consciente quando vou compor, minhas peças não surgem espontaneamente.
este tipo de composição, com as palavras, está bem nítido na CANÇÃO DOS VAGALUMES.
procurei no dicionário todas as palavras que começassem com duas consoantes, como BR, de brejo, brinco, brilho, porque eu queria que, quando uma pessoa ouvisse a música, ao mesmo tempo sentisse o som BRI / BRI das palavras, como o sinal luminoso ou o ruído dos vagalumes mesmo. essa sonoridade, óbvio, levaria a pessoa a ver imagens.
esse método de composição é muito complexo, difícil, mas gostaria de trabalhar todas as minhas peças desse jeito.
RADICALIZAR A TROPICÁLIA?
meu trabalho está ligado às expectativas abertas pelo tropicalismo.
comecei em 1972.
em londrina, a gente achava que, depois do avanço de caetano, gil, gal, pintaria uma coisa que incorporasse de forma mais intensa as conquistas recentes da música erudita.
a bossa nova chegou até o "impressionismo musical". a tropicália, apesar de informada sobre música dodecafônica, atonal, eletrônica, voltou-se mais para a elaboração das letras, dos textos e para a revolução no comportamento.
e, depois dela, em vez de evolução, houve INVOLUÇÃO.
a tropicália, em termos harmônicos a musicais, pode ser considerada um retrocesso em relação à bn. embora, em alguns momentos, ela ousasse na forma musical, como em ACRILÍRICO, de caetano, que é um negócio pra frente.
sim, o ARAÇA AZUL, onde caetano revisita o lado mais radical da tropicália. mas ARAÇA é um gesto, digamos, isolado e posterior.
mas a tropicália, sem dúvida, traçou uma aproximação entre música erudita e música popular.
e eu me perguntava, por que não partir disso?
por que não levar em conta a existência de john cage, schoenberg?
por que não fazer uma música "popular" atonal? por que não transar o contra-ponto?
caetano a gil (e os outros) mostraram a viabilidade da convivência criativa entre o "erudito" e o "popular", mostraram que a gente pode juntar, num mesmo espaço, linguagens diversas.
e eu, desde aquela época, queria radicalizar, com ênfase na construção musical, esse projeto, acrescentando ainda mais elementos.
eu queria enlouquecer mesmo.
SOM E GRAFITE EM SAO PAULO
os grafites de SP são legais, no entanto, podiam ser melhores. eu, logo que começaram a surgir, não prestei muita atenção. curtia o "ORA H ", e só.
hoje, já curto mais.
você viu, em meu show na rede bandeirantes, no final de 81, uma sprayação que fiz numa faixa branca com a frase NÃO REPETIR APESAR DO BIS, de marcel duchamp?
(depoimento de arrigo barnabé a cristina fonseca)
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www.arrigobarnabe.com.br
Arrigo Barnabé surge na cena musical brasileira, em 1979, quando recebe o 1° prêmio do Festival Universitário da TV Cultura, com a música “Diversões Eletrônicas” (parceria com Regina Porto). Em 1980 lança o álbum independente "Clara Crocodilo", marco inicial da vanguarda paulista, apresentando uma fusão entre a música popular urbana e a música erudita contemporânea. Em 1984, com o LP “Tubarões Voadores”, inicia uma pesquisa de unir música e história em quadrinhos. Várias vezes premiado, foi bolsista da fundação Vitae, e apresentou-se em diversos festivais pela Europa e América do Sul. Além das trilhas sonoras dos filmes “ED Mort” de Allain Fraisnot, “Alô” de Mara Mourão (em parceria com seu irmão Paulo) e "Oriundi" de Ricardo Bravo (protagonizado por Anthony Quinn), e a música para a peça "Plaidoyer en faveur des larmes d'Heraclite" de Bruno Bayen, apresentada no Teatro Nacional de Chaillot, em Paris (junho de 2003). Em 2004 compõe “Missa In memoriam Itamar Assumpção" apresentada em outubro no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, e lançada em cd em outubro de 2006, no Centro Cultural Banco do Brasil. Ainda em 2004 escreve a trilha sonora para o documentário de longa metragem “Doutores da alegria” de Mara Mourão, que recebe o prêmio Sesi-Fiesp de melhor trilha sonora, em 2006. Em 2005 se apresenta como narrador numa versão em português da “Ode a Napoleão” de Arnold Schoenberg, juntamente com o “Quarteto de cordas da cidade de São Paulo” e Paulo Braga (piano). Ainda em 2005 escreve a ópera “Enquanto estiverem acesos os avisos luminosos” com libreto de Bruno Bayen, apresentada no SESC Ipiranda em agosto. É professor de composição no departamento de cursos livres da ULM e idealizador e apresentador do programa Supertônica, na rádio Cultura FM, premiado em 2005 pela Associação paulista dos críticos de arte de São Paulo como Revelação de programa de rádio. Em 2006 recebe o prêmio de melhor trilha sonora do Festival de cinema da FIESP, pela música do loga “Doutores da alegria”. Em 2008 compõe “Caixa da música” e “Out of Cage” para o grupo de percussão “Drumming”, que, com encenação de Ricardo Pais, teve sua estréia absoluta no Teatro Nacional São João em junho deste ano. Atualmente é artista-residente na Unicamp em São Paulo. É convidado para ser artista-residente na Unicamp durante o 1º semestre de 2008, e realiza com os alunos do curso, e alunos e professores de outros departamentos do instituto de Artes da Unicamp, o espetáculo “Salão de beleza”, apresentado no Centro de Convivência, em Campinas nos dias 8 e 9 de setembro.Ainda em 2008 realiza a curadoria e direção artística de “Crisantemúsica”, uma série de recitais no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, evento comemorativo dos 100 anos da imigração japonesa no Brasil. Para essa série, Arrigo escreveu “Viver”, música para piano, violino, koto e guitarra elétrica, que terá sua première em 20 de maio. Atualmente escreve a trilha sonora para o filme de Allain Fraisnot “Família muda e vende tudo”
OBRIGADO PELA AMIZADE&TALENTO. SUA MUSICA FOI SEMPRE MOTIVO DE INSPIRAÇÃO. SE TIVER UM MINUTO DÊ UMA CONFERIDA NO SOM. TEM SAMBA EM INGLÊS E ROCK EM PORTUGUÊS. PEACE, SMELLO.
Magistral sua "Gloria Missa un Memoriam Arthur B do Rio". Emocionante as vozes se sobrepondo. És um inventor de emoções tambem. Continue inventando, meu amigo!
Thanks a lot for the add ! £leŦriKa sounds completely different from any Metal band you have ever heard. The Brazilian rhythms and the Portuguese language added to the songs makes its style unique, giving birth to a new kind of Metal. If you are really looking for something new about Metal, you should check £leŦriKa out!
Jordan Rivera is back this time with legendary UK singer Spoonface (faada.co.uk). The voice of Number one selling Black Legend and club anthem 'Hey Girl'. Black Legend's "You See the Trouble with Me" reached #1 in the UK Singles Chart selling several million worldwide. Many recognise Spoonface's contribution to the sound of Ukfunky with the classic dancefloor hit 'Hey Girl' With a host of collaborations from Drum and Bass maestro High Contrast to Reggae Legend Janet Kay, his current efforts have kept him at the top of the club charts with tracks like Wunna Be (Christain Marchi remix) and Here For You (Time srl). This track is called 'Keep on Holding'. It's an inspirational house record aiming to provide some upliftment in these 'crazy time's'. Remixes by Jesse Voorn (Dance4Life), Firebeatz (Spinnin/Big&Dirty), John Jacobsen & Anzwer (Pacha Ibiza Residents) Nino Anthony (Portamento/Subliminal), TYNY & Jeremus (Full Throttle Rec.), Amir Barbell (FSM), Jodee Kitch (FSM) and Norty Cotto (Naughty Boy Music/Henry Street Music) Have already become a triumphant hit on myspace!"