BIOGRAFIA
Começamos em 2001, andávamos no 7º ano escolar, juntos na mesma turma da escola Sophia de Mello Breyner (de Outurela e Portela - Carnaxide), tivemos o primeiro contacto com a música numa brincadeira de tempos livres de dois miúdos apaixonados pela música africana, onde com um mais que humilde microfone construído pelo Ritchaz gravava-mos, ainda no tempo das velhas cassetes, improvisando vozes e batidas vocais inspiradas basicamente no género de música angolano kuduro, que na altura encontrava-se na moda quer na escola quer em todo o bairro. Era a brincadeira dos nossos tempos livres em que as letras e batidas improvisadas falavam de colegas e professores do qual gostávamos de rir, divertíamo-nos imenso com as cassetes gravadas e partilhávamos com os colegas.
Com a chegada do computador a casa largamos definitivamente o rádio e a cassete e fazíamos de DJs, fazíamos misturas de músicas, nomeadamente kizombas, hip-hop, kuduro e funaná, que partilhávamos com amigos e, através de internet, com muitas outras pessoas e DJs que faziam o download das faixas que colocávamos online, fomos recebendo vários elogios, mas o que realmente nos entusiasmava era ter os nossos próprios beats e letras, a nossa própria música.
Com essa ideia em mente, em 2003 o Ritchaz começou a gravar rap em cima de instrumentais no computador com um microfone de PC, criava um estilo de música inspirado no que o famoso músico cabo-verdiano Djedje fazia, rap cantado ao ritmo de kizombas. Após três músicas feitas dessa maneira, o Kéke, motivado pelo mesmo entusiasmo de criar a própria música, decide juntar-se para cantarmos juntos, e desde aí nunca mais parámos de fazer as nossas músicas.
Foi em 2005 que começamos a ter acesso a vários programas de produção musical, começávamos então a aprofundar o nosso conhecimento na criação de sons, foi um dos anos mais importantes na nossa evolução como músicos, com o acesso e conhecimento desses programas tínhamos finalmente músicas originais nossas, Ritchaz e Kéke passou a ter não só um nome mas uma sonoridade e estilo musical que os caracterizava no bairro. O Ritchaz, motivado pelo conhecimento e criatividade começou a produzir vários beats para amigos, L-Wise, Makiavel, Sávio Delgado, e o primo Bala Bala tiveram beats produzidos por ele.
Depois de várias músicas criadas, foi a 16 de Setembro de 2006 que surgiu a oportunidade de actuar pela primeira vez ao vivo, era mais um passo para o nosso sonho, pisar um palco e mostrar a nossa música a todos numa festa inter cultural que se realizava em Cascais. Entramos nervosos e com medo da reacção do publico, mas no final conseguimos uma boa actuação e um grande apoio da plateia, depois de tanto trabalho tínhamos visto o nosso esforço recompensado, saímos do quarto onde produzíamos para um palco frente a frente com uma multidão e tinha corrido tudo bem. Depois do sucesso do primeiro concerto, os convites foram surgindo e actuamos em Chelas, Oeiras, Foros de Amora (Margem Sul), Carnaxide, Linda-a-Velha e na Portela, o nosso bairro, exactamente no dia 26 de Novembro numa festa tradicional de Cabo Verde, a festa da Santa Catarina, foi um concerto marcante porque nos consolidou como artistas no nosso mesmo bairro, e proporcionou-nos os melhores fãs que um artista pode ter: a família e os amigos.
Já víamos o sonho cada vez mais perto, o gosto, a motivação e a criatividade para produzir e cantar aumentava a cada dia e no melhor momento surgiu a oportunidade de concorrermos num concurso, já em 2007, em que amadores de Portugal inteiro enviaram as suas músicas para uma organização de produtores musicais, que pretendiam lançar um CD com novos talentos, financiado pela Gulbenkian (o maior centro cultural de Lisboa) e apoiado pelo projecto Escolhas (associação nacional de apoio a jovens), com o nome de 9 Bairros Novos Sons, era um prazer participar num grande projecto que nos poderia dar mais visibilidade e foi ainda maior a alegria com que recebemos a noticia que tínhamos sido escolhidos para entrar no CD, tínhamos conseguido uma das nove vagas que existiam com a música Si Me Mi N’Sta Feliz, era a oportunidade para gravar num estúdio a sério. Na actuação da apresentação desse CD na Gulbenkian conhecemos os dois agentes autónomos: Nelson e Pedro Gomes, eles que pretendiam encontrar e ajudar talentos da música africana (ou de raiz africana) fincada aqui em Portugal.
Desde então seguiram-se actuações por Lisboa, Leiria e Catalunha (Espanha), bem como entrevistas para a televisão, programa Nós da RTP, para a rádio Oxigénio e imprensa escrita, como o Público por exemplo.
Mais recentemente participamos num CD da FNAC, com o nome Novos Talentos FNAC 2008 com o tema Nha Paz, e temos vindo a realizar várias actuações.
Por agora estamos em projectos que é preferível serem ocultos, o caminho ainda é longo e por isso não fica aqui o fim, mas sim o começo da história…
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